O alemão vai embora, o brasileiro emociona. Coincidência?

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Foi um domingo ensolarado e alardeado pela imprensa de todas as línguas. O motivo – o afastamento definitivo do piloto/mito que atende por Schumacher das pistas que foram por ele tão bem dominadas em 15 anos de uma próspera carreira.

Schumacher passou pela Jordan e Benetton, mas foi no carro vermelho da Ferrari que encontrou sua glória. Em 96 foi contratado para usar o uniforme que não raro figura no pódio pela quantia astronômica de cerca de trinta milhões por ano. Faça a matemática e constatará que são 2.500.000 a mais na conta à cada mês concluído.

Em sua brilhante empresa, Michael participou de 250 Grandes Prêmios, foi o ganhador de 7 campeonatos, passando por 91 vitórias (com 68 pole positions) e 154 aparições no pódio. São números que alguns pilotos de F1 nem almejam em suas mais mesquinhas ambições.

Tudo culminou para uma corrida que deu-se no Autódromo José Carlos Pace, à 22 de Outubro de 2006, na brasileira cidade de São Paulo. Os amigos e parentes de Michael tranquilamente jogavam gamão e o próprio agia como se fosse um dia qualquer – enquanto isso, Galvão Bueno certamente chorava por dentro e alemães já sentiam saudades.

Eis que o nosso herói largou na décima posição e dali cuidou de fazer ultrapassagens ardilosas até que, lá pelas tantas, danificou seu pneu. Até o pit stop, foram vários zunidos atravessando a pista com velocidade, deixando para trás um Schumacher com um pneu desmanchante. Ainda que em séria desvatagem, Michael continuou a corrida, na qual mais e mais segundos o separavam do primeiro colocado. Que era um brasileiro.

Agora o nosso herói era Felipe Massa – o piloto que largou na pole position e manteve seu justo primeiro lugar por quase toda a corrida, enquanto melhorava seu tempo à cada volta e trazia aos espectadores verde-amarelos um sentimento de nostalgia, uma esperança há muito esquecida. Desde a última vitória do saudoso e talentoso Ayrton Senna, em 1993, nenhum outro brasileiro tinha ganhado uma corrida em seu próprio território. Por 13 anos, nossos pilotos foram incapazes de serem celebrados ao som daquela música da Globo que virou segundo hino do nosso país nos tempos de ouro de Senna.

Após uma hora, trinta e um minutos e cinqüenta e três segundos do início da corrida, vimos Massa repetir um gesto conhecido que emocionou muita gente. Enquanto Galvão gritava para quem quisesse ouvir o nome de Felipe e o hino ressurgia, Massa segurava uma bandeira verde e amarela que tremulava ao rápido vento, enquanto lembranças de tempos idos voltavam.

No final das contas, ao menos em terras tupiniqüins o término da carreira de Schumacher como piloto foi motivo de alegria, e a vitória de Felipe um motivo ainda maior. O resultado disso foi exultação para nós brasileiros, e a esperança de que tempos de igual júbilo estejam à frente.

O alemão vai embora, o brasileiro emociona. Teria sido Michael a nossa ovelha negra todo esse tempo, ou isso tudo foi um conveniente acaso, uma feliz coincidência… Serendipitia?

P.S.: Fotos retiradas do site oficial do piloto Felipe Massa; dados coletados na Enciclopédia Livre, Wikipedia.

Manifeste-se!