Posts feitos em abril, 2007
Tantas coisas para blogar!
Post paralelo: A Copa rumo ao Brasil. Olé! [?]
Primeiramente, queria dizer que estou adorando a liberdade que o Sideblog me dá. É bom não ter que escrever com muito compromisso às vezes! Este será o que eu chamarei de post paralelo, em que eu poderei, sei lá, de repente comentar um certo trecho do outro texto publicado ou até fazer um approach mais informal do mesmo assunto. No caso desse primeiro post paralelo, eu queria é dizer que não sou sempre pessimista, mas ultimamente ando muito indignado com o nosso país!
Cara, o que vivemos é simplesmente um absurdo! Só para citar um dos exemplos: no começo do ano, quando o espaço aéreo estava começando a se reestabilizar da primeira crise dos controladores de vôo, não apenas o setor aéreo estava intransitável quanto também os meios rodoviários estavam lastimáveis (sem contar o “rombo” que apareceu em São Paulo mais ou menos na mesma época). Nós não podemos nem viajar dentro do país! Mas que país é esse?
A indignação é algo que gera muitos ímpetos, e no meu caso estes são traduzidos na vontade de blogar. O fato de boa parte dos posts do blog serem sobre política é justamente porque atualmente ela é a coisa que me dá mais motivos para ficar indignado – e, portanto, me faz blogar mais. Eu costumo obedecer aos meus instintos sem pestanejar.
Ultimamente o que não nos faltam são escândalos brasileiros. E como eu me controlo para não vir aqui e jogar em um post umas palavras odiosas! Às vezes eu não consigo, e o Sideblog talvez maximize isso. Mas, paciência, eu não poderia ser considerado um bom adolescente se não contestasse as coisas. A contestação é a maior formadora de opiniões, não é mesmo?
Então, o último “causo” político que eu vi me fez rir para não chorar. Não é que o senhor Clodovil gastou 200.000 reais em seu gabinete? Ria junto comigo. O mal da democracia brasileira é que a maioria é que elege. Mas a democracia é assim em todo lugar!, você corrige. Mas acontece que, factualmente, no Brasil a maioria é ignorante. O resultado disso é gente como o Clodovil virando Deputado Federal. Eu até admiro algumas coisas nele, mas extravagâncias como essa não descem, não descem mesmo!
Desculpem-me pela bagunça no texto, mas é que, como eu disse antes, o Sideblog é uma parte descontraída do blog. Mais um bate-papo do que um weblog em si. Se eu me comprometer a colocar textos impecáveis aqui, o fato de dividir o Serendipitia em dois vai meio que perder o motivo.
Ah, sim! E quem explicar a mensagem subliminar e o trocadilho da imagem do post paralelo a esse ganha um prêmio! ;D
Ler maisA Copa rumo ao Brasil. Olé!
É. Agora além do Brasil rumo à Copa, a Copa também está vindo para o Brasil – pelo menos até que algum outro país a puxe e nos retire da rota de colisão. E, com alguma sorte, isso talvez aconteça.
É porque parece mesmo que todos os problemas pelos quais o nosso Brasil brasileiro está passando na verdade não são problema algum. Afinal, somos a sede dos cada-vez-mais-próximos Jogos Panamericanos de 2007 e neste exato momento somos a única opção do Mundial de Futebol de 2014 enquanto deveríamos ser a alternativa de último caso, uma salvaguarda por via das dúvidas. Com tantos eventos vindo até nós, não é de se espantar que estejamos felizes, não é mesmo? Panem et circenses! O que mais se pode querer?
É claro que ainda temos sete anos antes da chegada do evento que de quatro em quatro anos faz o Brasil parar, e também é claro que tirar conclusões tão antecipadamente é um tanto pessimista demais, mas é fato que dessa (esperançosamente) momentânea falta de opções já surge o risco da Copa de fato vir parar nesse nosso buraco país em desenvolvimento, pois a decisão final será anunciada já em novembro. Se até lá nenhum outro país se apresentar, o fardo é todo nosso… e aí sim o país vai parar literalmente.
Se o Brasil-futura-sede conseguir a proeza de manter esse mesmo atual “ritmo” de mudanças até 2014 (o que não causaria espanto), ele vai se tornar um caos tão logo as delegações começarem a pousar em algum aeroporto internacional do Rio e pingar de um para o outro. É tudo uma questão de lógica.
Veja, chega um feriadão e os brasileiros endinheirados rumam felizes e saltitantes aos aeroportos, ansiosos por ir visitar os parentes distantes e saudosos, passar alguns dias na praia ou até mesmo fugir de seus consangüíneos conterrâneos pouco agradáveis… mas os aeroportos se assustam com tamanho fluxo de gente e acabam tremendo na base, o espaço aéreo pára (porque problemas infortúnios do acaso sempre acontecem com o CINDACTA-1 na hora do rush) e todo mundo fica irritado. E lá se vai o nosso vibe bom que só os estrangeiros enxergam.
Bem, mas isso está para mudar, não é mesmo? E dentro de rápidos três meses! Este é o tempo que ainda resta até o Pan e o tempo de que o país dispõe para concluir as obras necessárias. Mas as obras ainda pendentes não são apenas aquelas relativas à construção de estádios e condomínios para atletas, não, mas sim no que diz respeito a reformas na nossa infraestrutura arcaica que já derrubou um avião e matou 154 pessoas, já fez o Brasil ficar intransitável por ar e por terra, já abriu uma cratera de 30 metros de profundidade no chão e já foi responsável por outros vários e lastimáveis acidentes. E ainda há a violência – ou ninguém mais se lembra do caos em que São Paulo caiu no ano passado, quando rebeliões estouraram como bombas nos presídios e deixaram a capital do medo isolada do resto do mundo, sem sinal de telefonia? Quanta coisa! Mas será que dá tempo? Afinal de contas, esse é o mesmo país que ainda não mudou certos aspectos da Constituição que todos concordaram que são antiquados depois de testemunharem o caso do João Hélio pela televisão.
Espero mesmo que dessa vez a lengalenga dos ministros e das autoridades “competentes” surta efeito. Afinal, ouvimos a mesma ladainha no caótico natal do ano passado e o resultado dela foi o que vimos na Semana Santa. Agora ficaram novas promessas e os melhores planos possíveis (mas que planos não são otimistas?)… E o Pan – a prova de fogo – se aproxima mais e mais.
Como eu disse, os problemas parecem não existir. A fome, o desemprego e todas aquelas coisas de que cansamos de ouvir continuam entre nós, mas, aos nossos olhos, estão adormecidas. Elas só acordarão de suas sestas imaginárias quando o Jornal Nacional ou o Fantástico fizerem mais uma daquelas matérias aterradoras que fazem todo mundo querer pular da cadeira e se prestar para alguma coisa. Mas quase ninguém de fato pula e passa-se uma semana, depois duas e tudo parece voltar aos eixos da tranqüila normalidade.
Só quando o próximo grande escândalo for mostrado na televisão é que as pessoas vão se tocar de que o dinheiro gasto com o Pan e a Copa do Mundo poderia muito bem estar sendo direcionado para um fim infinitas vezes mais útil. Somos um país em desenvolvimento, mas por que não nos darmos aos luxos dos desenvolvidos? Dinheiro não parece ser problema quando se trata de futebol, mas quando entra a Educação…!
Por enquanto, então, fica o gosto do circenses chegando ao povo, tirando os holofotes de cima do panem e distraindo o olhar crítico, tão adormecido quanto os nossos problemas de hoje. “Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros, que nós queremos sambar!”
Para todos nós, brasileiros ou não, os problemas deveriam ser encarados quais as doenças crônicas que, por estarem sempre presentes, nunca se arrefecem ou permitem que delas se esqueça e, assim, forçam quem delas sofre a mover-se no intuito de aliviá-las. Entretanto, os problemas são tidos mais como as alergias, que só se manifestam quando a coisa de que se tem aversão chega muito perto – dessa forma, basta afastar-se de tal coisa e a alergia passa num átimo, sem deixar o mínimo traço de enfermidade para trás. Fica apenas o alívio e, com ele, o insidioso memorando de que ela nunca mais vai voltar. Não obstante ela sempre volta, pois a pessoa continua a sofrer dela do mesmo jeito, mas sem sentir. E ela vem à tona quando menos se espera – aquela alergia irritante!
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