O mal do século
Vivemos o alvorecer de um novo século, ao qual culminam as ciências do passado e as óticas do presente, que, juntas, sintetizam a apoteose de todos os méritos do homem – infelizmente, nem todos honráveis. Ao passo que nos aproximamos cada vez mais da ficção dos filmes de Spielberg, também nos distanciamos das ficções dos filósofos dos tempos antigos.
Opõem-se, neste cenário futurístico, duas realidades criticamente distintas: se de um lado temos a prosperidade tecnológica, do outro temos o caos social. Enquanto assistimos às conquistas e aos progressos da medicina e da robótica, convivemos com problemas como a fome e a desigualdade que, matizados, criam problemas tão grandes que eclipsam todo o progresso – violência, criminalidade, pobreza de espírito. É por isso que vemos, nos noticiários, muito mais novidades ruins do que boas. Por mais que muito se fale na Educação quando se trata disso, o foco do problema vai muito além: o mal do século é a indiferença. As deficiências da educação científica, moral e ética gravitam em torno disso.
Não se transmite, nas famílias, a educação mais básica de todas – a social –; não se formam, nas escolas, cidadãos críticos, mas se procriam formandos alienados e míopes; não se colhem, nas ruas, possibilidades para o futuro, mas se destroem personalidades e distorcem ideais. Com isso tudo, não é difícil entender por que a juventude deste novo século mostra-se tão caótica. Os governos, as políticas, as escolas e as famílias são, de modo geral, indiferentes, e em um contexto assim vil, não há caminho que leve à solução. Primeiro é preciso que o próprio homem se reforme e se preocupe com o seu futuro, para que depois seja possível construí-lo sob o molde de todas as ficções existentes – os sonhos dos jovens do hoje, os sonhos dos pensadores de outrora.
