Posts feitos em março, 2008

Libertar-se é preciso

Post paralelo: In(édito/sólito) [?]

Hoje me disseram que eu me limito, e talvez seja verdade. Por que não expandir a visão? Talvez eu encontre novos horizontes.

Talvez seja esse poema a coisa mais verdadeira que já escrevi. Foi sentido e traduzido para a língua dos mortais na ausência de uma pessoa muito amada e no decorrer de uma grande paixão. Ainda hoje, quando o leio, gosto bastante do resultado (o que é bastante raro) e não me sinto tão hesitante em mostrá-lo, como acontece com a maioria dos textos literários que escrevo, da qual não me orgulho tanto. O primeiro de muitos a serem mostrados? O único? As chances são as mesmas. Vou esperar pela próxima vez que me sentir impelido a expor o meu lirismo infante mais uma vez.

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Se te exilas de mim

Partiste não há muito,
inda assim é-me infinito
este precito minuto sem um fim.
Quamanho amor agora verso,
por o grito de minh’alma
não se calar de indigesto
e subir inverso ao meu intento.
E já me desculpo, pois ele há-de permanecer
intraduzido para o resto dos tempos
em teus sinais, em meu espírito,
em teu espírito, em meus sinais.
Sinto, mas não há verso ou rima
e nem há nada que explica
o que ecoa dentro em mim
no velho mundo dos mortais.
Tudo que sinto, tudo que penso
levo-te em gestos, não em palavras;
isto que encerro não é mistério:
é a tua ausência, em etérea caixa
que dobro em versos, e assim,
decompondo-a em sinfonia,
guardo-a na memória não como ausência,
mas poesia.
Já se esmorecem as minhas horas
e a falta tua me ensina
que tu és deste mundo o meu sol;
Ficas longe, as noites se profundam,
os dias se mitigam,
a alegria se desnuda e a tristeza comisera.
até que a presença tua
traz-me de volta a tua luz,
e me espanta toda miséria.
ah! e é então que exilo-me de mim
e então que confino-me em ti,
amor.
ah! e é assim que se esmorece,
é assim que se evanesce
a sinfonia da tua ausência,
amor…

Post paralelo: Libertar-se é preciso [?]

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A coesão não vai bem, ceteris paribus.

Saudações, navegante, diretamente do planeta dos vestibulandos, um lugar frio e distante, mas ao mesmo tempo frenético, onde tudo é números (datas e notas e horários e dados e equações e fórmulas em profusão), fatos (chegadas e partidas e acordos e convenções e escolas e termos e definições e detalhes aos baldes), listas, livros, professores, coordenadores, campanhas, colegas, discussões, provas, anotações, e uma incrível pobreza de assunto: só se fala em — você adivinhou — vestibular.

A criatividade está esgotada, e a cabeça cheia de exatidões e subjetividades colegiais; basicamente, não tenho alimentado a frenosfera senão por esses tipos didáticos de pensamento. Eis que não me sobra muito espaço para expandir o eu divagante, posto que não sobra tempo para ser o indivíduo pensante — aquele que confabula consigo mesmo e desenvolve idéias que interessariam a um outro alguém. Como, acredito, noções de física e gramática não interessam a alguém que esteja lendo um blog, encontro-me em um grande problema. Não ter tempo para pensar criticamente é um problema grande para todo blogueiro, mas maior ainda para um blogueiro vestibulando. E o que dizer sobre o vestibulando blogueiro?

A vida do terceiranista é tão excêntrica que por vezes ele se pega se informando sobre cursos e faculdades em noites de sábado. Foi o que aconteceu a semana passada, quando me deparei com este termo latino que não tem o menor resquício de interessante, mas que ao excêntrico terceiranista parece o máximo; e foi na semana anterior também quando comecei a escrever este post, do qual desisti já no primeiro parágrafo. Hoje, enfim, decidi alimentá-lo e atualizar o blog. Mas voltando ao termo latino…

Ceteris paribus é aquela coisa a que todos visam, em tudo o que fazem: establidade. É na verdade um termo de rubrica econômica que enxugado, traduzido e adaptado para a língua das pessoas normais, significa “tudo o mais permanece constante”. Para os terceiranistas (ou ao menos para este específico excêntrico), é o que se espera que complete a frase “a vida social não vai bem…”, e também o que resume sua raison d’être — no final das contas, por que outra razão eu estou me preparando para o vestibular, senão para alcançar a minha estabilidade? Desde a prestação de serviços até as organizações políticas, tudo serve ao mesmo propósito: eliminar as inconstâncias para mitigar as incertezas e temores.

E por falar em estabilidade, tenho captado alguns rumores de otimismo por aí. Como já disse antes, a captação de informações do mundo real é bastante dificultada nessa clausura de estudos. Da última vez que chequei, o Brasil era não um país em desenvolvimento, mas um buraco em crescimento e, como diz o professor José Francisco, um lugar em que a única coisa que vai para frente é o atraso. Espantei-me e recolhi-me em minha ignorância quando descobri que, na verdade, o país vai muito bem, obrigado. Não é que o governo Lula tem mais méritos do que eu pensava? Um pouco antes de descobrir o termo “ceteris paribus”, descobri que o Brasil estava livre da dívida externa. Sem contar o ilustre dólar descendo alguns degraus na escada dos câmbios e o real subindo. Movimentos que, apesar de significarem menos lucros nas exportações para o país, também querem dizer tempo de compras para os ávidos por produtos estrangeiros como eu. Meu otimismo cresceu tanto que eu até mesmo assinei o UOL para acompanhar melhor o Brasil-pandeiro que felizmente estou começando a desconhecer. Tá, nem tanto, só estou tentando chegar ao ceteris paribus. Voltando ao assunto…

A imponência do vestibular, que paira sobre a cabeça do candidato como o divisor de águas da sua vida, é tão grande que oprime, e tanto oprime que o desespera. Eu, por exemplo, vendo-me completamente alheio às questões políticas atuais (para não dizer ignorante), senti, pela primeira vez na vida, uma urgência em acompanhar o movimento das engrenagens do mundo. Venho tornando a leitura de jornais um hábito mais freqüente não porque estou mais preocupado e politicamente amadurecido, mas simplesmente porque preciso alcançar a estabilidade necessária para defrontar o vestibular e derrubá-lo. Atualmente, a minha vida gira em torno do vestibular, e não sobra muito espaço para a atividade blogueira. É por isso que não há posts e, quando há, são posts inconsistentes como esse. A verdade é que não posso demorar muito. Nesse exato instante, tem centenas dos meus concorrentes estudando exatas, e três deles podem estar resolvendo uma questão bem-feita e aprendendo algum detalhe mínimo que vai garantir o acerto a mais deles no vestibular que pode roubar minha vaga. Portanto, melhor parar por aqui. Até a próxima! Ceteris paribus para você.

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