Se te exilas de mim

Partiste não há muito,
inda assim é-me infinito
este precito minuto sem um fim.
Quamanho amor agora verso,
por o grito de minh’alma
não se calar de indigesto
e subir inverso ao meu intento.
E já me desculpo, pois ele há-de permanecer
intraduzido para o resto dos tempos
em teus sinais, em meu espírito,
em teu espírito, em meus sinais.
Sinto, mas não há verso ou rima
e nem há nada que explica
o que ecoa dentro em mim
no velho mundo dos mortais.
Tudo que sinto, tudo que penso
levo-te em gestos, não em palavras;
isto que encerro não é mistério:
é a tua ausência, em etérea caixa
que dobro em versos, e assim,
decompondo-a em sinfonia,
guardo-a na memória não como ausência,
mas poesia.
Já se esmorecem as minhas horas
e a falta tua me ensina
que tu és deste mundo o meu sol;
Ficas longe, as noites se profundam,
os dias se mitigam,
a alegria se desnuda e a tristeza comisera.
até que a presença tua
traz-me de volta a tua luz,
e me espanta toda miséria.
ah! e é então que exilo-me de mim
e então que confino-me em ti,
amor.
ah! e é assim que se esmorece,
é assim que se evanesce
a sinfonia da tua ausência,
amor…

Post paralelo: Libertar-se é preciso [?]

  • anaseccato
    putz, releva esse erro de português patético.
  • anaseccato
    "(...)é a tua ausência, em etérea caixa
    que dobro em versos, e assim,
    decompondo-a em sinfonia,
    guardo-a na memória não como ausência,
    mas poesia."

    isso é lindo phill. mas do que todo o resto, ISSO é lindo ,)
  • Cara, isso é tão lindo.
    Poesia é poesia, só poesia pra me elevar assim.

    Se eu não fosse tão frio, choraria!

    "guardo-a na memória não como ausência,
    mas poesia"

    Muito liiiiindo. Putz, que demais.
blog comments powered by Disqus