Espectro

A primeira vez que nos vimos foi num reflexo. Só por um momento, um momento de eternidade. O ônibus dançava à música urbana dos motores e eu contemplava, através da janela embaçada, os faróis dos carros difundirem-se pela rua, refletidos em faixas amarelas e vermelhas que pareciam mergulhar no asfalto embebido na chuva de outubro. Foi quando as luzes do ônibus falharam e, escuro, o vidro por um momento tornou-se um espelho; foi quando os nossos olhos se encontraram. Engraçado. Eles se encontraram porque olhávamos para lados distintos. Contemplamo-nos até que as luzes se reacenderam, mas o nosso amor não foi feito de coincidências. A não ser esta.

3 pensamentos

  1. mudou, mas tá sensacional, como sempre ,)

  2. Incrivel!
    Se libertou de alguns conceitos mesmo =]
    gostei mesmo o/

  3. Que lindo.
    Extremamente de veia impressionista, parece até o próprio Raul Pompéia moderno falando :o

Manifeste-se!