Espectro
A primeira vez que nos vimos foi num reflexo. Só por um momento, um momento de eternidade. O ônibus dançava à música urbana dos motores e eu contemplava, através da janela embaçada, os faróis dos carros difundirem-se pela rua, refletidos em faixas amarelas e vermelhas que pareciam mergulhar no asfalto embebido na chuva de outubro. Foi quando as luzes do ônibus falharam e, escuro, o vidro por um momento tornou-se um espelho; foi quando os nossos olhos se encontraram. Engraçado. Eles se encontraram porque olhávamos para lados distintos. Contemplamo-nos até que as luzes se reacenderam, mas o nosso amor não foi feito de coincidências. A não ser esta.
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Diogo Rafael
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Vinicius
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ana seccato
