O curso

Preâmbulo: se você é o cara que leu o meu post sobre vestibular hoje, queira ir para um outro post ou ir tomar um cafezinho.

Agora, ao que interessa (teoricamente) a todo mundo que não é a pessoa metasupracitada:

Uma das coisas que me divertem os dias (ou seus pedaços) passados na frente do computador é uma funcionalidadezinha que o blog tem – graças ao plugin de estatísticas do WordPress.com – de me mostrar como é que as pessoas chegam a essa frenosfera aqui. É que além de contabilizar todo e cada um dos acessos que eu recebo no site e mos mostrar em um gráfico bonitinho, esse plugin ainda registra diariamente todos os termos que as pessoas digitaram em mecanismos de busca como o Google para parar aqui no meu site.

E eu fico maravilhado com os usos que o Google recebe. Era para ser só um mecanismo de busca, eu imagino, mas eis que ele foi se desdobrando em algumas outras funções bem curiosas, no mínimo. Já o vi servindo de parceiro de confabulação (alguém já chegou aqui digitando algo que começava com “porque será que anda acontecimentos mui”), conselheiro (“porque gostar de novelas”), guru (“como fazer o resultado do mbti”), professor de história (“a gestão collor foi boa?”), tradutor (“o que quer dizer update now?”), dicionário (“o que significa frenos em portugues”), colega (“qual ´a sua tribo urbana ?”) e, é claro, psicólogo freelancer (“nao sei que curso prestar”). Sem contar as coisas que digitam e que eu simplesmente não entendo, como: “fotos de emos ki existe”, “dissertaÇÃo pq os mocinhos preferem fi” e “tempo sem te procurar é para saudade no”; mas esse indeciso quanto ao curso aí me chamou à atenção.

Na verdade eu dei risada. Existe um prazer sublime em rir da desgraça alheia, não? Especialmente quando a desgraça que atualmente acomete o estranho em questão é uma que já te assolou antes e acabou sendo superada. Ou – nesse caso o prazer é maior ainda – quando é uma que você viu sumindo no horizonte depois de ter te atropelado sem parar para te prestar os primeiros socorros e levado consigo um pouco da sua sanidade (seja tenha sido ela física ou mental).

O melhor de tudo é que hoje são dez de novembro e as faculdades mais importantes do país já estão aplicando os seus famigerados vestibulares. Eu pensava estar completamente perdido e destituído da graça da esperança ao me ver indeciso quanto à escolha de curso umas duas semanas antes da abertura das inscrições da minha, mas imagine nem saber o que se quer fazer com apenas (prováveis) poucos dias antes da própria prova? Pior, imagine a gravidade da situação de se encontrar frente ao computador e, em um ato de extremo desespero, desabafar com o Google e vir parar em um blog como o meu. Eu quero dizer, o quão angustiada uma pessoa precisa estar para recorrer a um mecanismo de buscas para aliviar a sua dor?

Imagino que o sujeito tenha caído em um post que eu vomitei no primeiro ano, quando eu estive um pouco consternado com essa droga de escolha que nos impõem. Eu tinha acabado de receber um formulário de inscrição dum simulado aí, e só sei que tinha lá (na obviedade do contexto) uma lista de cursos, com umas bolinhas vazadas acompanhando os nomezinhos. Significava que eu precisava preencher uma delas com a tinta de uma caneta. Manchas de canetas não são apagáveis, e se isso era um sinal indicativo de como seriam as coisas com faculdades e cursos, eu tinha uma vaga idéia de que estava um tanto fodido por não ter quaisquer certezas. Mas, voltando ao assunto, o fato é que o caboclo pode ser o primeiranista exagerado que eu fui e estar procurando alguém em que se apoiar frente a tudo isso. E eu só sei que é difícil estar no lugar dele (além de saber que é bom pra caramba poder se posicionar assim). Pois bem.

Quando você tem amigos no terceiro ano, mas não está você mesmo nele, é um tanto engraçado vê-los preocupados com uma prova que, assim tão distante, se lhe parece um tanto desimportante. Quase impossível imaginar o porquê de um alguém passar tanto tempo preocupado, e de insistir tão veementemente em colocar o tal assunto do vestibular até nas conversas mais inépcias. Mas aí chega a nossa vez, e de repente a gente se dá conta. Esperançosamente, é nosso último ano no colégio, e é preciso (é forçoso) que se salte dele para a faculdade. O problema é que entre os dois tem uma parede, ou uma pedra bem no meio do caminho, como queira. E o pior de tudo é que, ao tentar passar por cima, você pode tropeçar e/ou cair de boca no chão caso não faça um impulso forte o suficiente. É aquele tipo de dor que você nunca experenciou, mas mesmo assim tem uma certeza muito lúcida de que ela deve ser bem grande.

Pausa:

Eu juro que eu tinha um ponto, mas está tão tarde, estou com tanto sono e eu demorei tanto pra polir esses parágrafos que vieram antes que eu até me esqueci do resto das coisas que eu queria falar. Isso acontece com alguma freqüência, aliás. Então vou fazer como já fiz antes: vou deixar esse post por aqui, e n’outro dia eu faço a parte dois.

To be continued…

Manifeste-se!