(Re)nasci(m)en(t)(o)

Ontem sonhei que morria, e que alguns segundos antes disso essa verdade já me era conhecida. Isso porque morrer era como ser enfiado à força num túnel escuro e então trancado ali dentro, e eu podia ver as portas se abrindo. Depois havia uma luz e também havia algo que me empurrava em sua direção (meus pensamentos ecoavam nas paredes — eu dizia “estou morrendo, estou morrendo”, mas ao mesmo tempo eu compreendia que morrer nada mais é do que passar a outra vida, como numa outra versão do universo.) E, enquanto eu ia chegando mais próximo do fim do túnel, sentia invadir-me toda uma nova consciência (e atravessar-me uma tristeza avassaladora, um instante que continha um mundo de saudade e decepção) que me ensinava que era de um útero que eu estava saindo. E então, enquanto minhas últimas memórias saíam de mim, e com elas misteriosamente as tristezas iam sendo expulsas também, a luz ficou mais forte e foi como se me agredisse. Testemunhá-la doía. Era uma dor que me libertava.

Acordei chorando.

Buá, buá, buá.

Manifeste-se!