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Neste pequeno quarto

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Absurdo que um quarto assim tão grande possa parecer tão opressivo e claustrofóbico dessa maneira. Inacreditável que possa haver tantos significados em tal profundo silêncio, em tal ausência de palavras (ditas ou pensadas). Tanta densidade em tão pouca matéria. Os sentimentos se tornam coisas concretas, quase pensantes em si, flutuam por conta própria, e eu me torno um pára-raio, ou quem sabe eu só seja humano. Eu sinto que termino em cada aresta que te define mas ainda assim não me conjugo, e acho que nos fizemos grandiosos demais por uma causa demasiado fútil, bem menos extraordinária do que pensáramos. Talvez até mesmo mundana. Nós colidimos e, de tão opostos, fizemos cair uma tempestade. Essa tensão toda é apenas parte do vendaval.

Se pudéssemos apenas voltar ao que éramos antes, quando os nossos egos não estavam assim inflamados dessa doença de pós-amor, talvez pudéssemos consertar o tamanho desse quarto, e caberíamos os dois no mesmo mundo como se fôssemos sol e pássaro, calmaria. Quem sabe se nós nos abraçássemos, preencheríamos esse lugar de sons, e então o silêncio daria lugar não a uma perturbação, mas ao equilíbrio. Seríamos duas pessoas num quarto se amando, e nada mais que isso. Sol e pássaro. Ordinários como o dia que vem após outro, e descomplicados.


1 comentário

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  1. a carência pela paz amorosa? não compartilho, mas te admiro por desejá-la. e sinto muita vontade de desprezar quem te nega.

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