Um pouco de otimismo, por favor.

Sim, o ENEM como sistema de seleção unificado foi nada menos que outorgado, a UFMT foi naturalmente a mais procurada, posto que foi uma das poucas que tiveram a coragem de adotá-lo logo de cara, e, também naturalmente, tanto o ENEM quanto a UFMT não satisfizeram a maioria. Os corações matogrossenses que se partiram hoje são incontáveis. Quer dizer, é o que nós achamos, porque ninguém tem meios ainda de saber qual é a porcentagem das vagas que asseguramos. Mas agora que encaramos a dura realidade, a de que é provável que a maioria dos nossos estudantes não foi capaz de competir com os estudantes vindos de outros estados, queremos entender o porquê, é claro. A reação mais imediata, como não podia ser diferente, é a de acusar o governo por ter feito tudo às pressas, e a reitoria da universidade por ter aprovado essa loucura em nosso estado sem consultar previamente a comunidade matogrossense. Agora dedos são apontados e a grande questão é levantada (pergunta-se com aquele ar de eu-te-avisei): será realmente possível que tenhamos mudado para melhor?

O sentimento coletivo que percebo me diz que não, não mudamos. Do jeito que andam falando, a concorrência parece ser má como o calor desses últimos dias e as vagas parecem ser todas destinadas, como que por direito divino, aos nossos próprios estudantes, de modo que vê-las preenchidas por aqueles nascidos em outros estados parece ser um crime pelo qual tanto o SiSU quanto a UFMT devem urgentemente ser crucificados. O protecionismo, tão velho e criticado em outros contextos, está em alta por aqui. A universidade é federal mas isso quer dizer muito pouco, pois aparentemente não pertence ao país. O sistema unificado parece estar mais para um vestibular da UFMT aplicado em escala nacional do que qualquer outra coisa. Os reprovados serão abalados além do reparo, os aprovados virão sugar o conhecimento da nossa instituição e dos nossos professores para depois irem buscar os seus êxitos profissionais alhures. Está tudo errado, um caos ético-político. Certo?

Duvido.

Para mim, a resposta é não.

Queiramos sair do óbvio, sim? Injetemos um pouco de otimismo nesta história toda, e tentemos, por favor, observar sem sermos aqueles que perderam as vagas, aqueles que têm que consolar os filhos por perderem as vagas, ou aqueles pessimistas que só sabem olhar para os aspectos ruins da coisa, caso isso seja possível. Comecemos por enunciar, de uma vez, o que é consensual, coisas com que até eu mesmo concordo:

A prova do ENEM em si não foi satisfatória. Noventa questões objetivas a serem respondidas, uma redação a ser feita e um gabarito para ser preenchido em, o quê, quatro horas e meia, cinco horas? parece não menos do que sobre-humano (eu bem me lembro do último ano do vestibular aplicado pela própria UFMT, em que responder a oitenta questões em quatro horas já parecia um trabalho hercúleo). E também é indefensável a celeridade com que tudo foi resolvido: que o ENEM passaria a testar todos os estudantes do Brasil e determinar se cada um deles iria ou não entrar na faculdade que gostaria de prestar, e que estava ao critério dessas faculdades aceitar ou não tal mudança, mas que tal critério deveria ser esclarecido em questão de uns poucos meses.

Mas o que me fez apoiar o vestibular unificado desde o início – desde o primeiro rumor pouco esclarecido que ouvi a respeito – foi a idéia por trás dele. Tão só. Dadas as circunstâncias, já naquele momento eu previa (junto com todo o país, tenho certeza) de que a prova não agradaria, poucas instituições adeririam de imediato e que, depois que a prova fosse aplicada e os resultados divulgados, haveria um contingente enorme de pessoas mudando-se de cidade para preencher a vaga conquistada em algum lugar distante. Bem, aqui estamos. Tudo que prevíamos se confirmou, e a histeria está chegando. Tentemos manter a calma e, principalmente, pensar no futuro.

O ano de 2009 foi um mal necessário. Foi apenas o primeiro ensaio. Tudo tem que começar de algum jeito, e bem sabemos que nada nasce já perfeito, apenas surge e de imediato entra num processo de aperfeiçoamento do qual, com alguma esperança, jamais sairá. O ENEM deste ano com toda a certeza será melhor do que o do passado, e mais faculdades optarão por usá-lo – é o curso natural das coisas. Em 2011 o mesmo poderá ser dito. Mas o que eu quero chamar à atenção dos meus conterrâneos é que não é só o vestibular unificado que tem melhorias a perseguir. Nós, matogrossenses, também temos a nossa parcela de culpa e, obviamente, um compromisso a assumir. Mas, antes de falarmos sobre essa culpa que compartilhamos, quero trazer uma pequena reflexão ao pensamento.

O que não desiste de martelar na minha cabeça, caro leitor, é o estado de São Paulo. Eu não conheço qualquer outro estado cujas instituições de ensino superior recebam estudantes de origens mais distintas do que esse. E tenho uma convicção muito forte de que, mesmo nessa adversidade, os estudantes paulistas não se sentem ameaçados ou injustiçados por tal concorrência. Bem, é claro que o nível da educação paulista é um dos melhores, mas a que isso se deve? Provavelmente à própria concorrência. Visto que o Brasil inteiro aspira a uma vaga na USP, na Unicamp, na Unesp, etc. (a lista continua), o estado se vê na obrigação de preparar os seus estudantes da melhor forma possível, de modo que a estadia deles ali seja possível, e que seus estudos possam continuar sem maiores alterações. O que faz investindo na educação.

A nossa culpa é a de termos nos acostumado ao fato de que a UFMT não está entre as mais visadas do país, e de que a competição pelas vagas acabava por se dar entre nós mesmos. Bem, este não é mais o caso. Este ano estivemos no centro das atenções, o que abalou o estado psicológico dos vestibulandos, que foram tomados pela surpresa estarrecedora de que competiriam com todo o Brasil. O ENEM cumpriu o seu papel, que era o de selecionar os melhores. O problema foi simples: os melhores não somos nós. O nosso ensino não estava preparado para competir com o ensino dos outros estados, está claro, e é precisamente aí que está o compromisso que temos que assumir. Não apenas o estado e a iniciativa privada, que devem investir mais na qualidade dos professores e repensar os métodos atuais de ensino, mas também os próprios estudantes. A postura precisa ser mudada. Os estudos precisam ser encarados com seriedade, porque é exatamente assim que os paulistas conseguem garantir suas vagas.

E eu prevejo que eles acabarão sendo levados a sério, porque mais e mais pessoas deixarão de conseguir entrar na UFMT sem passar pelo cursinho, e tanto os colégios quanto os alunos perceberão que precisam urgentemente melhorar. O ENEM, afinal de contas, é uma grande oportunidade, um grande incentivo, para a melhoria da educação em nosso estado e em todos aqueles em que se vive a mesma história que vivemos. Antes de tudo, precisamos parar de reclamar do estado atual das coisas e tomar providências que de fato produzam algum efeito. Os vestibulandos precisam tomar a UFMT pelo que ela é, não o que era, tornarem-se competitivos, e garantirem suas vagas em nossa universidade por meio de seus próprios méritos. As escolas precisam entender o novo vestibular, procurar os melhores meios de ensinar os seus alunos a raciocinarem (que se tornou o grande foco com o novo vestibular), e os professores precisam tomar um papel ainda mais ativo nesse processo, que é de transição.

O ideal será quando o ENEM se tornar uma prova sóbria, com uma metodologia acima de tudo democrática e um tempo sensato, e quando todas as grandes universidades do país o adotarem como sistema de seleção. Estamos longe disso, mas precisamos admitir que, uma vez que chegarmos lá, nos tornaremos um país menos restrito, mais dinâmico e, por conseqüência, mais forte. Nós só chegaremos neste ponto (isto é, se um dia chegarmos) se abandonarmos a postura pessimista que vejo a maioria das pessoas adotando agora, que só fará retardar o processo de aperfeiçoamento do ENEM e do SiSU, e tentarmos, ao invés disso, acelerar a velocidade com que perseguimos este futuro. Apontemos os erros, sim, isso é essencial, mas depois disso, ao invés de fecharmos a mão num punho e cruzarmos os braços, procuremos usar o mesmo dedo para apontar as possíveis soluções. Temos que ter um olho à frente do nosso tempo, no futuro ideal, e nos empenharmos para torná-lo a realidade. As coisas definitivamente não vão acontecer se não quisermos que aconteçam.

Agora, tudo falha se o que criticam é a própria idéia do vestibular unificado, e não simplesmente a sua execução. Não é a estes que falo aqui, nem com quem argumento – essa é outra discussão.

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O circo no pão

Sozinho, o ser humano é o que chamamos de animal racional. Em sociedade, no entanto, ele se entrega a instintos tão primitivos e abomináveis que se rebaixa a um “animal” assim simplório: sem adjetivações ou mesmo eufemismos que o separem das famintas hienas ou das argutas raposas. Afinal de contas, não foi à toa que Thomas Hobbes uma vez disse que o homem é o lobo do homem.

Testemunhamos, ao longo de nossa história social, a ascensão e a queda de muitas formas de política, que aos poucos construíram os moldes da nossa atual organização. Algumas delas retornam de tempos em tempos, sob novas facetas e novos nomes, com algumas alterações de contexto que as mascaram com perfeição. A política do Big Stick de Roosevelt ressurge, mas desta vez disfarçada no fastuoso poder econômico estadunidense, que oprime não por força bélica, mas pela própria política; o governo populista de Getúlio Vargas repete-se na Argentina de Kirchner, onde medidas que inicialmente pareciam promissoras agora mostram-se a causa de uma consistente ameaça de caos energético, e a política do pão e circo continua a ecoar em todo o mundo. À volta desta, muitos dos nossos problemas gravitam.

Foi em uma Roma intumescida e passível de insurgência que o futuro sofreu o importuno golpe; o império, ao entender a mecânica do homem lobo, descobriu a forma conveniente de dominar o animal racional com eficácia: dar-lhe comida e diversão para distrair-lhe a fome e o desgosto, e assim anestesiar suas demais preocupações. Nascia, então, o panem et circenses: pão e circo para o povo, prosperidade para a pólis; nada mais que uma droga analgésica, cujo efeito é sempre assaz passageiro para não aliviar toda a crise de algia.

Quando a razão iluminista tomou a França por conta e moveu o Terceiro Estado daquele cenário a clamar por mudanças através da revolução, não havia pão ou circo; e foi nesta falha em que morou a causa determinante dos resultados daquela década de reformas, os quais todos conhecem muito bem. Se a classe dominante caiu sob a força opressiva dos dominados foi porque não houve a sagacidade que Maria Antonieta reclamou quando recomendou que, ao povo faminto, fossem dados brioches. Já que, aliada à influência burguesa, a fome foi sem dúvida a âncora de toda a revolução, evitar-se-ia o naufrágio se simplesmente a desatassem por fim. Entrementes, daí enfim se tirou a lição: tudo tende a ficar bem desde que haja o pão, amassado por quem quer que seja. Os dominantes realmente aprenderam — e está aí mais um efeito colateral da Revolução Francesa — a aproveitar-se da fragílima ingenuidade do dominável.

Em sua condição de animal desprovido de adjetivos, o homem configura-se, socialmente, um míope. Sem o devido auxílio, não é capaz de enxergar o que há à sua frente, e assim perde-se em seu próprio meio. Encaixa-se em uma rotina, segue ordens e, por nunca questionar-se os motivos, lança-se em seu próprio buraco e o torna, com essa mesma alienação, cada vez mais profundo.

E não é muito difícil perceber a distração do olhar crítico: ela está em todo lugar em que há passividade. Consideremos o próprio Brasil. Recentemente sediamos os jogos Pan Americanos e enquanto isso, para citar alguns exemplos, o acidente de um avião comercial na metrópole paulista consolidou-se a pior tragédia da aviação brasileira, os aeroportos continuaram caóticos e a novela da corrupção política continuou a se desenrolar sem intervalos, mas ainda assim foi colocada em segundo plano; sua importância eclipsada pelos jogos. Mesmo em face de tais eventos, não houve reação — o circo distrai, o povo canta.

Não é de se espantar que, no nosso Brasil brasileiro, a política do pão e circo até possua um nome: “Fome Zero”. Irônico e ácido. E sob essa perspectiva fica óbvio que os chamados “programas de transferência direta de renda” englobados por este ás, que supostamente acodem as necessidades das massas carentes de nossa demografia, nada mais são do que atalhos convenientes ao mesmo tempo que grandes economias de verbas; são serviços mal prestados, mas muito bem enfeitados.

Afinal de contas, as obrigações do Estado para com o seu povo concernem muito mais do que incentivos como o Bolsa Escola — mais do que oferecer uma módica ajuda financeira mensal e importar-se tão-somente com a educação básica de um indivíduo, deve haver a preocupação com a sua formação crítica, o seu acesso à informação e a sua inserção no mercado de trabalho. As necessidades desta camada vão muito além de cestas básicas e rendas adicionais. Mais que isso, é crucial dar ao povo as condições de obtê-las; seja facilitando acessos, enxugando burocracias ou gerando oportunidades, o enfoque deve estar nas contingências do futuro, e não apenas nas pequenas coisas do presente.

É importante que se perceba que o animal racional e o ser social são diretamente dependentes. O olhar crítico deve unir-se às ambições inatas assim como o instinto deve aguçar a razão, e nunca uma coisa ou outra. Para que se crie uma nação pensante, crítica e capaz de conduzir o presente ao futuro, é preciso que primeiro nasça a racionalidade no homem social, para que depois existam ideais a serem altercados — é somente a partir desta premissa que se engendra o aperfeiçoamento. E isso só tornar-se-á possível quando a nossa Educação não mais refletir a impertinente miopia social e novas óticas surgirem, convergindo para um único ponto com um único foco: o progresso. O progresso através da consciência crítica.

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O mal do século

Vivemos o alvorecer de um novo século, ao qual culminam as ciências do passado e as óticas do presente, que, juntas, sintetizam a apoteose de todos os méritos do homem – infelizmente, nem todos honráveis. Ao passo que nos aproximamos cada vez mais da ficção dos filmes de Spielberg, também nos distanciamos das ficções dos filósofos dos tempos antigos.

Opõem-se, neste cenário futurístico, duas realidades criticamente distintas: se de um lado temos a prosperidade tecnológica, do outro temos o caos social. Enquanto assistimos às conquistas e aos progressos da medicina e da robótica, convivemos com problemas como a fome e a desigualdade que, matizados, criam problemas tão grandes que eclipsam todo o progresso – violência, criminalidade, pobreza de espírito. É por isso que vemos, nos noticiários, muito mais novidades ruins do que boas. Por mais que muito se fale na Educação quando se trata disso, o foco do problema vai muito além: o mal do século é a indiferença. As deficiências da educação científica, moral e ética gravitam em torno disso.

Não se transmite, nas famílias, a educação mais básica de todas – a social –; não se formam, nas escolas, cidadãos críticos, mas se procriam formandos alienados e míopes; não se colhem, nas ruas, possibilidades para o futuro, mas se destroem personalidades e distorcem ideais. Com isso tudo, não é difícil entender por que a juventude deste novo século mostra-se tão caótica. Os governos, as políticas, as escolas e as famílias são, de modo geral, indiferentes, e em um contexto assim vil, não há caminho que leve à solução. Primeiro é preciso que o próprio homem se reforme e se preocupe com o seu futuro, para que depois seja possível construí-lo sob o molde de todas as ficções existentes – os sonhos dos jovens do hoje, os sonhos dos pensadores de outrora.

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A Copa rumo ao Brasil. Olé!

copadomundo.jpgÉ. Agora além do Brasil rumo à Copa, a Copa também está vindo para o Brasil – pelo menos até que algum outro país a puxe e nos retire da rota de colisão. E, com alguma sorte, isso talvez aconteça.

É porque parece mesmo que todos os problemas pelos quais o nosso Brasil brasileiro está passando na verdade não são problema algum. Afinal, somos a sede dos cada-vez-mais-próximos Jogos Panamericanos de 2007 e neste exato momento somos a única opção do Mundial de Futebol de 2014 enquanto deveríamos ser a alternativa de último caso, uma salvaguarda por via das dúvidas. Com tantos eventos vindo até nós, não é de se espantar que estejamos felizes, não é mesmo? Panem et circenses! O que mais se pode querer?

É claro que ainda temos sete anos antes da chegada do evento que de quatro em quatro anos faz o Brasil parar, e também é claro que tirar conclusões tão antecipadamente é um tanto pessimista demais, mas é fato que dessa (esperançosamente) momentânea falta de opções já surge o risco da Copa de fato vir parar nesse nosso buraco país em desenvolvimento, pois a decisão final será anunciada já em novembro. Se até lá nenhum outro país se apresentar, o fardo é todo nosso… e aí sim o país vai parar literalmente.

Se o Brasil-futura-sede conseguir a proeza de manter esse mesmo atual “ritmo” de mudanças até 2014 (o que não causaria espanto), ele vai se tornar um caos tão logo as delegações começarem a pousar em algum aeroporto internacional do Rio e pingar de um para o outro. É tudo uma questão de lógica.

Veja, chega um feriadão e os brasileiros endinheirados rumam felizes e saltitantes aos aeroportos, ansiosos por ir visitar os parentes distantes e saudosos, passar alguns dias na praia ou até mesmo fugir de seus consangüíneos conterrâneos pouco agradáveis… mas os aeroportos se assustam com tamanho fluxo de gente e acabam tremendo na base, o espaço aéreo pára (porque problemas infortúnios do acaso sempre acontecem com o CINDACTA-1 na hora do rush) e todo mundo fica irritado. E lá se vai o nosso vibe bom que só os estrangeiros enxergam.

Bem, mas isso está para mudar, não é mesmo? E dentro de rápidos três meses! Este é o tempo que ainda resta até o Pan e o tempo de que o país dispõe para concluir as obras necessárias. Mas as obras ainda pendentes não são apenas aquelas relativas à construção de estádios e condomínios para atletas, não, mas sim no que diz respeito a reformas na nossa infraestrutura arcaica que já derrubou um avião e matou 154 pessoas, já fez o Brasil ficar intransitável por ar e por terra, já abriu uma cratera de 30 metros de profundidade no chão e já foi responsável por outros vários e lastimáveis acidentes. E ainda há a violência – ou ninguém mais se lembra do caos em que São Paulo caiu no ano passado, quando rebeliões estouraram como bombas nos presídios e deixaram a capital do medo isolada do resto do mundo, sem sinal de telefonia? Quanta coisa! Mas será que dá tempo? Afinal de contas, esse é o mesmo país que ainda não mudou certos aspectos da Constituição que todos concordaram que são antiquados depois de testemunharem o caso do João Hélio pela televisão.

Espero mesmo que dessa vez a lengalenga dos ministros e das autoridades “competentes” surta efeito. Afinal, ouvimos a mesma ladainha no caótico natal do ano passado e o resultado dela foi o que vimos na Semana Santa. Agora ficaram novas promessas e os melhores planos possíveis (mas que planos não são otimistas?)… E o Pan – a prova de fogo – se aproxima mais e mais.

Como eu disse, os problemas parecem não existir. A fome, o desemprego e todas aquelas coisas de que cansamos de ouvir continuam entre nós, mas, aos nossos olhos, estão adormecidas. Elas só acordarão de suas sestas imaginárias quando o Jornal Nacional ou o Fantástico fizerem mais uma daquelas matérias aterradoras que fazem todo mundo querer pular da cadeira e se prestar para alguma coisa. Mas quase ninguém de fato pula e passa-se uma semana, depois duas e tudo parece voltar aos eixos da tranqüila normalidade.

Só quando o próximo grande escândalo for mostrado na televisão é que as pessoas vão se tocar de que o dinheiro gasto com o Pan e a Copa do Mundo poderia muito bem estar sendo direcionado para um fim infinitas vezes mais útil. Somos um país em desenvolvimento, mas por que não nos darmos aos luxos dos desenvolvidos? Dinheiro não parece ser problema quando se trata de futebol, mas quando entra a Educação…!

Por enquanto, então, fica o gosto do circenses chegando ao povo, tirando os holofotes de cima do panem e distraindo o olhar crítico, tão adormecido quanto os nossos problemas de hoje. “Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros, que nós queremos sambar!”

Para todos nós, brasileiros ou não, os problemas deveriam ser encarados quais as doenças crônicas que, por estarem sempre presentes, nunca se arrefecem ou permitem que delas se esqueça e, assim, forçam quem delas sofre a mover-se no intuito de aliviá-las. Entretanto, os problemas são tidos mais como as alergias, que só se manifestam quando a coisa de que se tem aversão chega muito perto – dessa forma, basta afastar-se de tal coisa e a alergia passa num átimo, sem deixar o mínimo traço de enfermidade para trás. Fica apenas o alívio e, com ele, o insidioso memorando de que ela nunca mais vai voltar. Não obstante ela sempre volta, pois a pessoa continua a sofrer dela do mesmo jeito, mas sem sentir. E ela vem à tona quando menos se espera – aquela alergia irritante!

Post paralelo: Tantas coisas para blogar! [?]

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Salário mínimo sobe 25 reais, o parlamentar 11.733.

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Todo mundo sabe como um blogueiro adolescente adora declarar seu ódio desapreço à política e toda aquela corja de engravatados… e eu não sou nenhuma exceção, como vocês podem perceber pelo tamanho da palavra “política” na tag cloud aí do lado. Mais uma vez, o que me move a escrever um post com essa temática é nada mais que a indigninação. Você soube da última? Descobri no desde-já-recomendado Frigideira Blog e de lá emprestei parte do assunto.

Caso você ainda não saiba o que é que os senhores deputados e senadores andam aprontando, sugiro que leia essa notícia aqui. No entanto, se você é preguiçoso demais (ou ocupado demais, não é mesmo?), eu sintetizo: os parlamentares quase dobraram seus salários, e agora passarão a ver entrar em suas contas a pífia quantia de R$24.600,00 todo santo mês.

É, coitados. Eles mereciam esse aumento. Afinal, os ministros do Supremo Tribunal Federal ganhavam muito mais! Mas agora, com o aumento de 91% sobre o prévio salário de R$12.867,00, agora eles equipararam as duas remunerações e abriram espaço para os outros políticos invejosos reclamarem seus reajustes no mesmo nível.

Direto do G1:

Atualmente, cada deputado tem direito, além do salário de R$ 12.847,00, a uma verba indenizatória de R$ 15 mil, R$ 50 mil para gastar com o gabinete, R$ 3 mil para auxílio-moradia, R$ 4 mil para correios e telefones e mais quatro passagens mensais de ida e volta para seu estado. O que dá, em média, R$ 1 milhão ao ano por deputado.

No Senado, além dos salários, os parlamentares têm a verba indenizatória de R$ 15 mil, auxilio-moradia de R$ 3,8 mil, 11 funcionários comissionados, com um total de R$ 72 mil em salários, 25 litros de combustível por dia com motorista, além de passagens aéreas. Todas essas regalias, por enquanto, estão mantidas. O Orçamento da Câmara e do Senado para 2007 é de R$ 3,2 bilhões.

E tudo que eles precisaram para conseguir tudo isso aí foi o seu voto. É, e muito brasileiro trocou voto por uma cesta básica.

Ainda que a nova peripécia vinda de Brasília custe cerca de 150 milhões de reais aos cofres públicos, Rebelo, presidente da Câmara, diz que “Não haverá aumento de despesas. Câmara e Senado cortarão gastos suficientes para que esse reajuste fique dentro do orçamento”.

Mas o que importa, excelentíssimos políticos, é que enquanto o salário de vocês vê um reajuste de mais de dez mil reais, o salário mínimo vê um de 25. Enquanto o reajuste devia apenas cobrir a inflação (quase 29%), vocês decidiram que ele será de 91%. É revoltante saber que tem gente por aí que não vê reajuste há mais de cinco anos, e, quando vê, ele é ridiculamente pequeno. É revoltante você ver na TV uma reportagem em que os senhores beneficiados dizem que “foi uma decisão das duas Mesas, não foi uma coisa individual”, como se eles não estivessem nem aí para o dinheiro, como se não fossem mercenários, como se não fossem políticos!

Eu nem tenho mais o que falar, e vou deixar para escrever tudo o que eu penso dessa política de hoje em um dia que eu estiver menos indignado e com uma capacidade maior de organizar os meus pensamentos. Agora não dá mesmo, porque agora tudo que eu queria é que esses engravatados hipócritas explodissem.

Não vou nem revisar, que não dá de ler sobre isso de novo mesmo. Qualquer erro, desculpem esse revoltado blogueiro. No próximo post ele vai estar mais calminho. Tomara.

Pelo jeito eu não sou o único revoltado. Veja as reações à notícia no Parlatório, o blog de política do G1. Às 20:30 do dia 14, já são 998 comentários inflamados.

Fontes: G1 e Frigideira

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Brasil campeão – pelo menos no vôlei!

Apesar de o nosso país estar com o nome um tanto sujo por aí e com o lado esportivo bem abalado desde o vexame da copa do mundo de futebol, nós temos algo para contar vantagem com os amigos gringos.

Fazendo exatamente o contrário dos jogadores do gramado, os garotos da nossa seleção masculina de vôlei não deixaram o favoritismo subir à cabeça, não viraram estrelinhas apesar de terem todos os motivos para isso (leia 21 competições disputadas desde a entrada do Bernardinho e aparições no pódio em cada uma delas) e garantiram o bicampeonato mundial brasileiro de vôlei.

A equipe de Bernardinho suou nas quadras do Japão em jogos duros contra seleções como a da França (que inclusive ganhou da nossa, na primeira fase), Itália e Bulgária, mas conseguiu chegar à finalíssima contra a Polônia. O décimo primeiro e último jogo foi surpreendemente um dos mais tranqüilos de toda a competição e garantiu o novo título.

Eu pude acompanhar alguns jogos e virei fã desses caras aí. Cada ponto era uma comemoração intensa, com abraços efusivos até demais e gritos assustadores. A energia que eles têm é incrível. Mesmo se o jogo estivesse dois sets a zero, eles trocavam palavras com o técnico, animavam uns aos outros e voltavam à quadra com mais garra que antes, sacando, levantando, atacando e bloqueando com toda a força, virando o jogo e ganhando com aquele gostinho prazeroso de vingança.

É bom saber que o Brasil ainda brilha em alguma coisa e que pode ser noticiado nos jornais internacionais em manchetes que não envolvem escândalos políticos, arrastões em praias ou carnaval. Parabéns aos jogadores pelo espírito de equipe e enfoque sempre presente, parabéns ao Bernardinho pela trajetória impecável com o time e parabéns para o Brasil, que ganhou mais um troféu dourado para fulgurar ao lado de tantos outros que conquistamos em quadras e campos de todos os cantos do mundo.
Dá-lhe, Brasil!

via UOL Esporte
O japa torce para o Brasil com as cores da Argentina. Ok… o que vale é a intenção, né?

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