Cadáveres

Se quer um conselho, não leia o que vem depois do segundo ponto final. Se há algo útil nesse post, é que ele serve para mostrar que sim, eu continuo vivo.

O avião caiu e eu fiquei pensando em destino. Cheguei à conclusão de que a única coisa a que estamos todos destinados mesmo é a sermos um cadáver. Surgimos da pureza de um suposto milagre (o da vida, assim dizem) apenas para terminarmos na insignificância dessa palavra ominosa, volta e meia inspiradora de arrepios, caminhando eternamente pela inexistência tendo o completo esquecimento como apenas o primeiro estágio filosófico. Na verdade nem é essa a palavra mais adequada, cadáver. Quer dizer, acho que todo o campo lexical está incorreto. Estamos todos na verdade predispostos a essa condição final, assim supostos pelas observações empíricas que apontam para o fato de que todo ser humano (ou, numa análise mais geral, tudo que vive) eventualmente morre. Temos uma natureza tão incerta que falar do desaparecimento de cada um de nós, como indivíduos, é tão complicado como falar dos nossos surgimentos. Afinal, em que momento estaria, precisamente, aquele em que passamos a existir? Alguns diriam que passamos a existir quando saímos à luz do mundo (ou à artificialidade da luz de uma sala de cirurgia), e há outros que dirão que existimos assim que somos promovidos a feto, oito semanas após o coito. Há ainda outra linha de pensamento que defende que, naquele exato momento em que ocorre a união de um óvulo e um espermatozóide, já existimos; que surgimos da formação do embrião, e não do suspiro de agonia. Mas sejamos mais criativos. E se na verdade existimos mesmo antes disso, só que em duas existências distintas no espaço e perdidas nas probabilidades – uma nos vinte e três cromossomos de um entre os bilhões de espermatozóides dos nossos pais, uma nos vinte e três cromossomos de uma das dezenas de óvulos das nossas mães? Poderia ser essa a unidade mínima da existência? Não seria possível que cada uma dessas existências estivesse antes dividida em outras duas, ou quem sabe quatro, no tempo indivisível e no espaço (de certa forma) infinitesimal das células? E essas pequenas existências brotando de outras oito, ou quem sabe dezesseis existências engolfadas pelo tempo que, de tão dividido, nem é tempo, e num espaço em que cada átomo em seu formato e posição desempenha a mais crucial das importâncias? E, ainda antes disso, dezesseis ou trinta e duas existências originais confinadas em ainda uma outra unidade, infinitas vezes menor do que essa unidade que supostamente conhecemos, contendo, cada uma delas, outros milhares de existências, ou quem sabe universos inteiros repletos de existências? Quantas são, exatamente, as variáveis que nos definem? Quantas elas precisariam ser, matematicamente, para que nos milhares de anos em que o ser humano existe, não tenha havido nunca um indivíduo exatamente igual ao outro? E, se passar a existir é isso mesmo, o que seria exatamente morrer? O inverso? A princípio faz sentido, pois, após culminarem-se tantas existências distintas numa só, passamos anos e anos como uma só existência, aparentemente muito finita e definida. E em certo ponto definhamos, é claro, viramos uma existência puída, cada vez mais vaporosa, para depois enfim passarmos ao curioso estado (será que posso dizer assim, “estado”?) da inexistência e voltarmos à questão do cadáver. Dizem que os nossos cadáveres tecnicamente evaporam (só que, como são mais complexos que a água, são ditos como objetos de um processo mais complicado e detentor de um nome mais pomposo) e/ou são consumidos por outras existências, umas que vivem debaixo da terra, aonde geralmente vamos parar depois de uma vida cheia de glórias ou cheia de desonras, pouco importa, e aquilo que nos tornara uma vez unos (o corpo e todo o seu volume atômico) vai se repartindo entre milhões de indivíduos microscópicos que eventualmente morrerão e serão absorvidos por coisas ainda menos visíveis ou mesmo diferenciáveis. Então chegamos a algo parecido com o statu quo ante, ao início de algo novo e provavelmente diferente. Voltamos (ou será que devo dizer “volta-se”? Quem sabe “procede-se”?) às milhões de quase-existências que um dia se juntarão para formar uma nova (repito, uma), que então morrerá (ou, mais objetivamente, se redividirá) e então repetirá o processo apenas para se tornar um cadáver outra vez.

(Eu avisei e não foi à toa.)

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Febre

Estou com febre, estou com febre e o mundo também.

Ninguém quer que você ouse. Todo mundo não quer apenas te ver estático – quer te prever. O que é imprevisível também é uma ameaça, afinal; ao atual estado das coisas, à organização e ao fluxo delas. Àquilo a que já se acostumou. Todos têm medo do desconhecido – sim, não é a morte que as pessoas temem. É a nossa total ignorância acerca dela. As pessoas incapazes de surpreender não gostam de ser surpreendidas, essa é a verdade. Assim como aquelas que se acomodaram a tal ponto, afundaram de um jeito tal em suas tocas, que atrofiaram em suas faculdades físicas, e talvez até mesmo nas mentais. E as automatizadas, que foram pegas e devoradas pelos mecanismos dos quais fazem parte e aos quais provêem o gás, digo, o petróleo. Nenhuma delas quer que você ouse ser diferente.

Está com febre? Estou! O mundo também está!

Mesmo a Coca-Cola não quer. Ela quer que você seja igual a todo um mundo que consome aquele mesmo produto, o dela, e só quer que você ouse trocar por ele os dois reais que você poderia economizar para o próximo item da sua lista de desejos. A única ousadia desejada é a da compra. Os professores querem que você repita padrões, faça uso constante da borracha, gaste muito grafite, dedique os seus dias aos estudos que tantas pessoas já fizeram antes de você. O vestibular quer que você se subjugue aos seus professores, aos seus livros, e quer que você produza uma redação de início, meio e fim, aos quais correspondam, respectivamente, introdução, desenvolvimento e conclusão. Nunca um texto como este aqui. Talvez seja essa a sua raison d’être: eu quero poder escrever fora dos moldes.

Estamos com febre – eu numa cama, o mundo na outra.

O mundo te diz: seja simples, tenha poucos desejos. Eu estou morrendo e eu sou a sua casa. Se o teto cair, portanto, vai ser em cima de você. E os ambientalistas concordam. Polua menos, eles dizem. Os vegetarianos dizem: não coma carne. As crianças dizem: não quero verdinhos! Os adultos dizem: queremos as verdinhas! Mas não prestam atenção ao fato de que essa expressão pertence aos estadunidenses, cuja moeda de papel é verde. Está tudo errado, está percebendo? O problema não é o gás carbônico, a violência ou a miséria. O problema é esse: as pessoas estão falando demais, de modo que elas estão se perdendo dos seus objetivos, razões e convicções. Eu também tenho muito o que falar, mas não encontro a ordem! Por onde começo? E onde termino?

Febre, febre, febre. Temo que já tenhamos passado dos cinqüenta graus. Mas não disseram que isso era impossível?

Os pais dos meus amigos os chamam de católicos, mas eles mesmos não sabem do que se chamar. Os jovens estão perdidos mas não no sentido de estarem sem esperança – no sentido de terem perdido a visão da trilha, terem feito trekking na mata fechada e de repente terem se dado conta de que não havia ninguém por perto e a mata estava fechada demais. Todo mundo tem muita coisa pra dizer. Eu não acredito em muita coisa que eles dizem, eu acredito é no cérebro. Todo um potencial, ele tem. Muitos elétrons-volt, é verdade! Teve uma questão de física que envolvia sódio e potencial que eu errei no vestibular. Ou foi num simulado?

Ai, como arde. Ó, desconforto! Je suis malade! Nous sommes malades! Tout le monde! Non! Le monde en soi! Le monde et moi…

Estudei francês mas não sei por quê. Se as pessoas não me entendem nem na minha língua, por que é que eu quero saber outra? Talvez para poder falar de um jeito simples: eu moro na casa verde, como é o teu nome?, eu estou doente!, adeus!.

Se o meu olho está vermelho, a Terra continua azul. Mas ainda assim eu sei – está tão quente! Temos febre, sim, senhor.

A crise não é econômica. A da economia é só uma evidência, o primeiro passo – o trajeto leva a um precipício, tenhamos cuidado! (Eu tenho uma personagem que vaga por ali, e eu sei dizer que o lugar é repleto de vozes, ventos, e quase sempre é noite. Ou quase noite: é crepúsculo.) Depois vai se consolidar a crise dos alimentos, em seguida a crise existencial. Primeiro a minha, depois a do mundo.

Salvem os seus netos! Desmatem menos! Desculpe, esse foi o mundo. Ele está delirando ali, na cama ao lado.

Agora que se falou em netos, eu queria dizer que não penso em ter netos e também não penso em ser só mais um. Quando eu me recuperar dessa febre e for capaz de organizar meus pensamentos, eu vou separá-los e acondicioná-los em parágrafos, com tampas bem coesas. Na verdade, vou fazer muitos textos com eles, mas sem misturá-los demais. Eu estava quase achando o fio da meada, mas aí veio essa febre e eu o perdi. Mas eu vou reencontrá-lo, dou minha palavra escrita, essa bem aqui: eu vou!

É excruciante! Será que alguém teria Tylenol? Para mim serve, mas quanto ao mundo…

As temperaturas no mundo só fazem subir, não é verdade? O calor é transferido pro mercúrio dos termômetros antigos e lá vai subindo o líquido pelo túbulo. Não sei como é que funcionam os termômetros eletrônicos, mas não deve ser nada muito complicado. Afinal, eles são bem baratos e de grande disponibilidade. Só não se vende pela internet, o que seria um tanto estranho. Ou será que se vende? Afinal, o mundo anda tão estranho, de qualquer jeito…

Alguém mais está com febre? Espero que não seja contagioso.

Tenho muita inveja daqueles que escrevem livros. Mais ainda dos que os publicam. Eles mantêm um ritmo que os vai levando até o fim, o ponto final final. E aí as pessoas lêem o que eles escrevem e tudo simplesmente faz sentido. Uma vez eu fui assim, mas aí comecei a pensar demais e escrever de menos. Aí as coisas foram se acumulando na minha cabeça de forma que comecei a encontrar dificuldade para expressá-las, uma por uma. Então elas ficam na fila e ficam impacientes, se é que você me entende. Aí se empurram, roubam os lugares umas das outras, e vão saindo na primeira oportunidade, todas de uma vez, por vezes até pisoteando as mais fracas. Um caos.

Acho que o mundo acabou de desmaiar. Ou foi só a noite que caiu?

Uma descarga cerebral – é como vou chamar isso tudo. Mas não vai ser o título desse texto, porque o título eu já escolhi há uns cinco parágrafos. O título há de ser “febre”, porque eu não quero que tomem esse texto como parâmetro para me julgar como escrevente – sim, porque eu não posso dizer “escritor”, ou as pessoas vão fazer confusões. Ninguém pode levar a sério as palavras de um homem febril.

Acho que às vezes a pessoa precisa fazer algo assim – se permitir a loucura, já que ela insiste tanto assim em se libertar, alfinetando sem nunca perder a energia. Deixá-la dar uma volta pelo mundo de fora, distorcer as palavras até que se canse. Depois disso ela se recolhe em um canto longínquo da alma por conta própria e então adormece, dando lugar à lucidez. Aí a lucidez pode chegar e organizar os pensamentos: pra que essa fila? Voltem já para os seus quartos! Andem, andem! E a consciência do escrevente fica em paz. Quando ele quer falar sobre uma coisa, ele simplesmente a chama e ela vem, de cabeça baixa, transparente, leve e obediente.

Daqui pra frente, vai ser assim. Esta foi a última descarga cerebral. A minha meta é fazer sentido, como agorinha eu havia prometido que ia fazer.

Como eu ia dizendo, ninguém quer que a gente ouse. Mas eu sou do tipo que ousa. Ser diferente, escrever diferente, e ainda colocar tudo isso num blog. Eu não era assim, mas felizmente agora eu sou.

Acho que a minha febre está passando. Mas o mundo ainda me parece doentio.

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Tempo e outras divagações

ou: a abolição da coesão; ou ainda: stepping out of the ordinary; ou quem sabe: stepping into a madhouse.

O que fazer do tédio? A música vai medindo a passagem do meu tempo, e por não ouvi-la com atenção também não tenho a noção das horas. Acho que elas se metem a andar mais rápido quando não tem ninguém observando. E deve ser isso mesmo, porque o tempo pareceu se dilatar naquelas vezes em que eu peguei o relógio da gaveta e sentei com ele no silêncio, só observando os ponteiros se mexerem. Aliás, deve ser por isso que os minutos costumam demorar tanto pra passar: estamos sempre consultando a que altura estamos na passagem dos segundos. Eu sei que o tempo é só uma percepção. Ele na verdade não existe, não é mesmo? Separamo-lo em dia e noite, duas coisas que só existem do nosso ponto de vista. Que estivéssemos no espaço ou que a Terra não girasse, eu gostaria de saber como mediriam o tempo desde o início – aliás, eu poderia apostar que se nós não envelhecêssemos, ninguém teria jamais inventado o relógio. Essa dependência de circunstâncias (o movimento do planeta e a alternância de dia e noite, a não-localização no espaço), de qualquer forma, só pode significar que ele (o tempo, não o relógio) não existe. Ou isso ou o tempo só vale para a Terra e o resto do universo é atemporal.

Mas se o tempo não existisse, como poderia haver um conceito ou mesmo uma palavra como “atemporal”? A sua existência seria uma hipótese bastante improvável por pelo menos dois motivos. A primeira implicação é gramatical: o “atemporal” derivou-se do “tempo”. Logicamente, portanto, a não-existência deste automaticamente exclui a possibilidade de existência daquele. A segunda é filosófica, de cunho paradoxal: como uma coisa “a” poderia ter a qualidade de ser oposta a uma outra coisa “b”, sendo que essa última não existe? A que “a” estaria se opondo então, ao nada? Então o universo passaria de “atemporal” para “tudo”, o oposto de “nada”? Espera, isso está começando a virar um algo sem sentido que faz sentido, porque, se você pensar o conceito, o universo é “tudo”. E se isso pode ser tomado como verdade, então também se torna verdadeiro o pressuposto (do qual parti) de que o universo de fato é atemporal? Não, espere, não foi isso que eu disse. Eu disse que o universo não é atemporal só porque o tempo na realidade não existe. Mas ao mesmo tempo, se o tempo não existe, então tudo é atemporal. O problema é que eu não tenho meios de dizer isso, já que estaria chegando a uma implicação gramatical e outra filosófica. Então vamos fazer assim: ignoremos as implicações da afirmação. Vou dizer e você vai entender sem encrencar tanto com isso quanto eu estou encrencando: o universo é atemporal. O tempo não existe. Que se faça o sentido.

Ai, como eu sou humano. Estamos sempre tentando encontrar e ratificar explicações tendo como base a lógica da mente humana, não é verdade? Como se ela fosse o parâmetro de todas as coisas. Ah, que infames. Só de pensar que nós raramente entendemos o que se passa em nossas próprias cabeças, cabeças essas que levamos conosco para todos os cantos durante todas as nossas vidas! Somos tão hipócritas a ponto de admitir que não entendemos a psicologia humana mas que, apesar disso, compreendemos o universo. É quase como aquela coisa: você vê uma criança fazendo algo incompatível com a idade dela e aponta o ridículo do fato acusando-a de nem saber limpar a própria bunda.

O homem tem essa coisa de achar que o universo existe para completá-lo, ou que é o contrário, que ele existe para completar o universo. Mas são igualmente mesquinhos os dois jeitos, o direto e o inverso. Somos aparentemente incapazes de aceitar que pode não haver sentido para tudo. Eu só sei que no início certamente não havia um. Essa coisa de “sentido”, na verdade, só passou a existir quando o homem surgiu no grande vazio das coisas e se viu sem muito o que fazer. Dotado da capacidade de falar dentro de sua cabeça (ou pensar, em um só verbo – como queira), começou a atribuir razões para tudo e até inventou a própria razão, aquela que grafa com a primeira letra maiúscula. Se ele não tivesse esse recurso, se só pudesse falar fora de sua cabeça, para outra pessoa, talvez nada disso tivesse acontecido. Quer dizer, se os bebês de hoje em dia, que são mais espertos do que não sei o quê, ainda não nascem sabendo falar, então o que poderíamos dizer do primeiro ser humano que apareceu na Terra? Um bronco total. Ele nunca teria pronunciado a primeira palavra, não sem a capacidade de pensar. É que se fosse um esforço social, o início da chamada evolução, o nosso egoísmo o teria certamente impedido de vir. Mas o fato é que ela começou por um esforço particular, e eis que esse primeiro sujeito se entediou. E ele podia pensar. O tédio é um mal do homem já há milênios, isso todo mundo sabe, e nessa condição (de entediado) ele tende a divagar (quando não consegue dormir), bem como eu estou divagando agora (já que não consigo dormir). O resultado você já sabe, eu já disse antes: ele começou a encontrar razões, inventou a “Razão” e o tal do sentido. Os que vieram depois dele inventaram a ciência, o suposto ápice da capacidade cognitiva do ser humano. Mas eu ouso dizer, aliás, que todas as ciências que existem nada têm de imparciais. Pelo contrário, foram todas elas influenciadas pela condição de humanidade obviamente inerente a todos nós. E a fragilidade dessa condição é o que, com o perdão da palavra, fodeu com toda a glória da ciência. Não deixa de ser uma idéia bela, de qualquer forma. É mais ou menos como o socialismo de Marx: poderia ter dado certo, não fosse, é claro, a sua dependência de pessoas, que, bem, são humanas.

E, já que estou falando o que eu penso, vou dizer mais. Eu acredito que a vida é só uma passagem, nada mais do que isso. Os poetas árcades viveram e morreram pregando que somos todos efêmeros. E a vida é uma coisa bastante insignificante, se quer saber. Nunca sequer houve mais matéria no universo quando um animal (irracional ou racional) nasceu, tenha sido ele o Einstein ou o Totó. Aliás, o universo tem hoje a mesma quantidade de matéria que tinha antes mesmo do surgimento da Terra. Os átomos que me constituem que constituem você que constituem o seu vizinho são os mesmos que um dia fizeram parte de, sei lá, um planeta bilhões de anos-luz distante daqui que simplesmente explodiu há um tempão atrás. Acredite se quiser.

Mas o mal de ficar viajando nessas coisas ridiculamente grandes e malucas (universo, conceitos, vida, humanidade) é que você pode se distrair muito facilmente do pensamento inicial. Só para ser do contra, eu vou me lembrar do que eu queria dizer antes. É que eu fico pensando: por que é que nós deslizamos pelo espaço sem contá-lo em metros e fazemos isso com o tempo? Que mania chata essa nossa, a de ficar cronometrando a tal da passagem. Passemos, e que seja só isso! As pessoas precisam parar de ser tão antiquadas. Parem de buscar as respostas nas bíblias, alcorões e torás e comprem um livro de física moderna. E para quem não quiser gastar dinheiro, a Wikipedia está a um clique. O único problema é que ela foi feita por humanos e codificada de acordo com a mente deles. Digo, nossa. Nossa mente. Por mais que eu não goste disso, acho que ainda não temos nenhum outro parâmetro no qual nos apoiarmos, por enquanto. Infelizmente.

Mas eu ainda prefiro pensar em buracos negros, realidades alternativas e expansão do universo do que ficar imaginando se eu vou para o céu ou para o inferno quando morrer. Mesmo que seja tudo mentira, viagem total, isso pelo menos me ajuda a abrir a mente e me faz ver que eu não sei absolutamente nada. Aliás, se tem um cara que um dia falou algo realmente verdadeiro, esse cara foi Sócrates – isto é, se ele realmente existiu. Só não vou citar a frase dele porque eu detesto fazer citações, acho algo extremamente cafona, e além do mais não quero dar esse gostinho para o tal cara (se ele tiver existido) – tudo bem que ele já morreu (novamente, admitindo que ele viveu). Mas que fique subentendida a tal frase, então, e ficará tudo bem assim. Qualquer coisa eu não sei de nada. Aliás, eu não sei mesmo. Ó, vida.

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