trabalho

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estive pensando
sobre você, é claro
e olha que engraçado
isso que pensei.

sou o atrito da sua vida:
tento fazer você ficar
e você só me despreza
em todos os problemas
como todos os demais.
aplica uma força
sempre bem maior que a minha
mas sabe que só anda
sempre que precisa
por poder me usar.

o pior é que tudo se encaixa
e o melhor é que o nosso encaixe
acontece muito bem.

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Se te exilas de mim

Partiste não há muito,
inda assim é-me infinito
este precito minuto sem um fim.
Quamanho amor agora verso,
por o grito de minh’alma
não se calar de indigesto
e subir inverso ao meu intento.
E já me desculpo, pois ele há-de permanecer
intraduzido para o resto dos tempos
em teus sinais, em meu espírito,
em teu espírito, em meus sinais.
Sinto, mas não há verso ou rima
e nem há nada que explica
o que ecoa dentro em mim
no velho mundo dos mortais.
Tudo que sinto, tudo que penso
levo-te em gestos, não em palavras;
isto que encerro não é mistério:
é a tua ausência, em etérea caixa
que dobro em versos, e assim,
decompondo-a em sinfonia,
guardo-a na memória não como ausência,
mas poesia.
Já se esmorecem as minhas horas
e a falta tua me ensina
que tu és deste mundo o meu sol;
Ficas longe, as noites se profundam,
os dias se mitigam,
a alegria se desnuda e a tristeza comisera.
até que a presença tua
traz-me de volta a tua luz,
e me espanta toda miséria.
ah! e é então que exilo-me de mim
e então que confino-me em ti,
amor.
ah! e é assim que se esmorece,
é assim que se evanesce
a sinfonia da tua ausência,
amor…

Post paralelo: Libertar-se é preciso [?]

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