Gato de botas
Estava escuro, mas não tão escuro que as pessoas sentadas no bar do outro lado da rua não pudessem enxergá-la. Ela sentiu o carro parar, deixou-se arquear para a frente, depois olhou para o lado. Mas bastou o olhar que (quase não) recebeu de volta para que ela soubesse que despedidas ali seriam dissonantes. Então (quase não) deu um sorriso. Foi uma coisa áspera que escorreu pelo canto da boca e não aliviou em nenhum grau o peso que fazia o rosto todo cair numa expressão fechada, mas legível. Pelo contrário, a entregava. E a luz não ajudava. Porque era bastante. Abriu a porta e deixou o silêncio no ar refrigerado lá dentro. Quando saiu, sentiu uma lufada de subúrbio passar por baixo da saia. O carro partiu e ela sentiu ficar quase nua. Sentiu que todos os olhares (não) encontraram o dela. Espetando, censurando, reprovando. Remexeu o cabelo tingido de loiro como se aquilo pudesse consertar sua postura, ou mesmo restituir algum tipo de certeza que não tivesse máculas. Arrumou a saia. Olhou para um lado. Olhou para o outro. Não vinha outro carro, mas não conseguiu atravessar a rua. Então se limitou a se sentar no meio-fio da calçada cheia de fuligem ali atrás dela, e se enojou por se sentir em casa. Ignorando os olhares inquisidores (cientes), permitiu-se desabar. Chorou lágrimas quentes, tempestuosas, e elas gotejaram da sua face fina (tão cara) para a sarjeta. Escorreram com o seu orgulho para o bueiro mais próximo, onde se perderam para sempre. Mas ela em si permaneceu, à mostra. Na verdade, ali estava só o seu nome. E todo mundo olhava.
Ler maisO perdão
O perdão não é um ato. É um fenômeno, que, por sê-lo, é involuntário, que só se desencadeia a partir daquele que necessita perdoar e que quer dizer tanto liberdade quanto leveza. Você pode dizer ou pensar que perdoa, querer ou tentar perdoar, mas você não terá perdoado enquanto o seu coração não consentir. Eu sempre acreditei nisso. A necessidade do perdão surge de uma falta, uma falta que abre uma ferida. O perdão não tem o poder de fechar a ferida nem nenhum outro poder: ele é só um sinal, uma evidência. O ser humano, por extensão, também não tem esse poder – a ele só cabe a dissimulação e a indiferença. Ele pode, sim, fingir para os outros que não há dor, e, num esforço maior, pode até fingir para ele mesmo que ela não existe – pode ignorá-la, morder o lábio e simplesmente suportá-la sem dizer um ai. Mas, ainda assim, senti-la no nível da alma é-lhe inescapável. Ele não pode obliterá-la por querer. Há um ditado muito acertado que diz que querer não é poder: querer acabar com a dor não tem o poder de exterminá-la. Portanto, o perdão não carrega consigo esse poder restaurador que tanto se fantasia. Todos sabem disso mas não querem aceitar.
Gosto de imaginar a coisa assim: existe entre as pessoas um laço a que chamam de afeto. Esse laço é uma simbiose sensível, o que significa que, pela ação dele, as pessoas se conectam emocionalmente, ficando assim sincronizados os seus sentimentos. Assim, quando uma pessoa “a” falta com respeito, com sinceridade, com compaixão, ou com qualquer outro sentimento que se espera numa relação de afeto a uma pessoa “b”, abre nela uma ferida e, como está intimamente ligada a ela, vê abrir em si mesma uma ferida também. Nela, a ferida se chama culpa. Na outra, decepção. É desse evento que surge a necessidade do perdão, como já disse. Enquanto a ferida da outra não se fechar, também não se fechará a sua própria, e sendo assim não importa que se diga e que se ouça “eu te perdôo”, que as coisas não vão se consertar. É preciso ter paciência. O perdão só vem quando não há mais dor. Se é verdade que a sua necessidade surge da dor, a sua consolidação surge do alívio – não é o alívio que surge da consolidação do perdão, mas o contrário. Quando chega o dia em que a falta não faz mais pesar na alma daquele que, com o ato, foi ferido, então o fenômeno do perdão acontece. E, como ele significa – reitero: significa – tanto liberdade quanto leveza, atesta, à decepção, a descontração, e à culpa, finalmente, aquilo que conhecíamos antes como o perdão: a cura.
Ler maisVaga-lumes
Tudo era perturbadoramente dourado. Eu tentava fumar o meu cigarro sem me sentir estranho, mesmo sujo; um pária da natureza, do vento doce de baunilha e dos murmúrios do riacho. O pôr-do-sol me irritava, como sempre fez. A magia do ocaso é uma que eu nunca conheci. E todos na fazenda sempre o veneravam tanto! Para mim vem com ele o anúncio da noite, e só. Quando chegava a noite, a gente tinha que voltar pra sede. Eu ficava atrás da janela do meu quarto, o do sótão – tanto eu lutara por ele -, vendo vaga-lumes e ouvindo o som abafado do canto dos sapos não passando através do vidro grosso. A Rita vivia me gritando, lá de baixo, pra ir tomar a sopa, e eu continuava contando meus vaga-lumes. Era o meu jeito de pegar no sono. Eu quase sempre dormia ali, no peitoril da janela mesmo, e acordava enrolado na colcha e afundado na minha cama, o vento frio da manhã campestre dançando janela adentro e me fazendo lembrar vagamente da Rita me pegando no colo e brigando docemente comigo, me acusando de odiar a sua sopa, antes de fechar os olhos e retornar ao meu sonho. Eu sempre sonhava com a cidade – com prédios altos pelos quais eu ia pulando – e as mais variadas versões de elevadores. Às vezes eles eram toras de madeira puxadas por macacos em cipós e às vezes eram caixotes de madeira pendurados em polias, mas estavam sempre deslocados no cinza do concreto de uma cidade que ficava em eterna construção. Olhei para o riacho e fiquei meio cego – os raios de sol se refletiram nele e atingiram em cheio os meus olhos. Girei nos calcanhares e puxei um último trago. Fiz dele longo e apaixonado, e depois soltei o cigarro para pisá-lo com o tênis. Depois fiquei sentado sob o velho ipê amarelo, me fingindo de adolescente outra vez. Tentei me lembrar das coisas que eu pensava quando terminava outro cigarro às escondidas e fingia para mim mesmo que o tempo todo que eu estivera ali fora gasto observando a rebeldia da clareira. Quando a rebeldia era apenas minha. Ri, amargo, ouvi minha risada sair meio rouca e pigarreei. Recostei a cabeça no tronco e fiquei ali até que aquela luminosidade febril de fim de tarde perdesse o lugar para o azul espectral da noite de lua cheia. Fiquei esperando um vaga-lume aparecer, mas não vi nenhum. Os bons tempos não voltam. Levantei e me espreguicei, e então fui voltando pela trilha que já não existia. O mato tinha crescido de novo, verde, verde, e apagara o caminho que dantes os meus pés haviam afundado, nas caminhadas de ida e de volta, de e para aquele lugar secreto e silencioso. A relva descia pelas pedras, cobria o negro do húmus, avançava pelos troncos das mangueiras e isolava o meu antigo templo, tornando-o da natureza mais uma vez. Restituindo aquele refúgio ao seu verdadeiro guardião, o esquecimento. Eu ainda podia contemplá-lo quando visitava a fazenda, mas eu nunca mais poderia me esconder nele ou chamá-lo de meu. Aquela não era mais a minha vida, era isso que o musgo e o mato me diziam, crescendo rebeldes por todo canto. E eu caminhava por cima deles, sem precisar de rastros para achar meu caminho de volta para a sede – este era eu mesmo me dizendo que aquela vida já não pertencia mais a mim. Me curvei para pegar uma folha de hortelã, mas aí me lembrei que não escondia mais que fumava. Ri, ouvindo a minha voz sair mais limpa, e então segui adiante.
Ler maisO caderninho
A coisa estranha dele era que ele sempre trazia consigo um caderninho e um lápis número 2. Isto é, desde os seus sete anos de idade, quando apanhou até desmaiar por ter colocado uma vela próxima demais de uma cortina. Mas nem eram ainda esses seus dois inseparáveis companheiros os responsáveis pela estranheza que o tornou digno de nota. É que ele só os usava em uma ocasião: sempre que ouvia uma sentença que vinha antes de algo como “jamais se esqueça disso”, ele a anotava ali. E mantinha e seguia essas suas anotações como se fossem bem uma bíblia, mas eu penso nelas mais como um manual. Todos os seus pensamentos e todas as suas atitudes, emoções e palavras vinham de seu coração, é claro, mas era tudo filtrado e remodelado por e segundo as lembranças perpetuadas naquele caderninho. Nada saía sem antes passar pelo seu crivo, que, sustentado na precisão e impassibilidade das coisas que são escritas, tornara-se indiscutível.
Foi assim que ele nunca se apaixonou, xingou, nem abriu a porta para estranhos, para citar alguns de seus feitos. Nunca se esqueceu do amor do pai e da mãe ou da constante vigília de Deus, e o único dia que passou sem escovar os dentes foi quando foi acampar com uns amigos aos dezoito anos. Mas aí escreveu que jamais deveria se esquecer da escova de dentes ao lado da anotação que o instruía a nunca deixar de escovar os dentes e isso não aconteceu outra vez. E também foi assim que ele entrou em depressão e morreu quando perdeu o caderninho, e só o lápis número 2 sobrou. Sem as suas instruções de como viver, o pobre rapaz se matou. Jamais alguém o advertira para nunca se esquecer do caderninho, de modo que eu tenho que dizer que, portanto, ele um dia fatalmente o esqueceu. E nunca haviam dito nada porque achavam aquilo simplesmente estranho demais.
Ler maisDo outro lado do muro
Ele se sentava em seu fiel banco de três pernas e, do outro lado do muro, um cão gritava. Seus latidos e uivos se arrastavam pela noite como uma súplica, dizendo mil por favores, estava claro, e depois subitamente morriam no ar quente, como cortados por uma faca bem amolada. Nesses momentos o cão apenas choramingava baixinho, aguardando uma resposta chegar de uma das janelas que provavelmente contemplava, esperançoso. Era então que o barulho da cerca elétrica se sobressaía, tão impassível quanto os vizinhos. Tac-tac. Tac-tac. Tac-tac. Ela nunca mudava o seu discurso, só estalava de um jeito ao mesmo tempo lânguido e frenético. O barulho que os grilos faziam em algum lugar – incrível como os grilos são onipresentes, ele pensou – saltava do plano de fundo para o frontal. Não era uma sinfonia de cricris, mas um assovio constante e difuso que poderia passar despercebido com a menor das distrações. Daquela vez o cão tinha parado por um instante mais longo, e ele pôde ouvir um carro atravessar a madrugada da avenida lá longe. Zump.
Tragou lentamente o cigarro e calculou que os vizinhos provavelmente estavam em seus respectivos quartos e camas, dormindo seus agradáveis sonos completamente aversos aos pedidos. Afinal não estava de dia, e também não era natal. E se estava equivocado quanto a isso, só podia estar em um sentido: no lugar de dormindo, estariam ainda remexendo os lençóis, insones, e se afundando cada vez mais abaixo de seus travesseiros, tentando se desligar das reclamações do Rex. Ou do Totó, que fosse.
Rex ou Totó, o provavelmente pequeno animal não desistia. Continuava pedindo que o deixassem entrar em casa, dizendo que não tinha feito nada errado, e que estaria tudo bem se pelo menos alguém viesse brincar com ele para ajudá-lo a vencer aquela noite tão incrivelmente monótona. E tão incrivelmente quente, o rapaz pensava, avaliando que não demoraria muito mais para terminar o cigarro. Então, do outro lado do muro, o melhor amigo das pessoas da outra casa parou de latir e voltou a choramingar, mas agora em grunhidos mais baixos e guturais, afetados de resignação. O homem não soube por que e nem como, mas percebeu o cão se deitando junto ao muro e abaixando as orelhas, lá do outro lado, e sentiu que ele não choramingava mais as suas propostas, mas que estava agora apenas se lamentando. Constatou, um pouco envergonhado, que estava encurvado para a frente no banco em posição de préstimo, aquela posição que a gente assume quando vê um alguém desmaiando bem na nossa frente e se impele naturalmente, quase em um reflexo, a ajudá-lo.
Era uma bênção, ele pensava, que os cães não falassem a língua dos homens. Se tivessem meios de dizer aos seus donos tudo o que sentiam, se entendessem as palavras duras que eles lhes diziam em seus momentos ruins, e se soubessem que aquele silêncio que vinha das janelas era indiferença, então o homem e o cão não teriam nunca sido melhores amigos. Ainda que o fossem, essa amizade só duraria até que o sol se pusesse e o homem tivesse que dormir o seu sono tão justo e o cachorro tivesse que ficar do lado de fora, gritando de um jeito tão irritante e infantil…
Mas aí o cão recomeçou a latir e ele perdeu a linha do pensamento. Também decidiu que não pensaria mais. Filosófico demais para um domingo, porra, ele pensou, e jogou o toco do cigarro no chão. Não o apagou, afinal estava descalço.
- Que bobagem – ele disse, levantando-se do banco de três pernas e jogando no ar a última baforada de fumaça. Tentou fazê-la um círculo, mas não conseguiu. Ainda precisava treinar muito mais, era verdade. Deteve-se por alguns instantes de frente para o muro, esperando que o animal entendesse que seus esforços eram vãos e que ele faria melhor em simplesmente parar de pedir. Mas o cão não entendeu, e ele foi andando até a porta da varanda de mau humor. Coçou a cabeça, preocupado. Agora era ele quem precisava dormir, e o cachorro precisava parar de latir. Abriu a porta e depois ela se fechou atrás dele. Clique. Foi trancada. A varanda ficou sozinha, relegada ao som da eletricidade da cerca, do estridular dos grilos e dos gritos do cão.
Ler maisDissensão
Sustentava-se em seu próprio silêncio, nas alturas do seu sofrimento. Encarava o abismo e sentia o vento bater contra seu rosto, arrastar seus cabelos para o sem-cor agridoce do céu, trazer para os seus ouvidos a música tranqüila que fazia na escuridão lá de baixo, falando de alívios e recompensas em uivos e sussurros tão dissonantes. Difundiam-se por toda a parte, os sentidos e os sons, e ecoavam na fragilidade da linha do horizonte, de onde voltavam com menos força, como se houvessem lá conhecido alguma verdade pesada demais. O verde-musgo dos morros de algum jeito se confundia com a profundidade da escuridão da quase-noite, o crepúsculo nos céus. Ela mesma se confundia no meio daquilo. Era só o frio contra sua pele, e a sensação de que seu corpo não era mais que o seu meio particular de mergulhar no mundo. Ali era como se, do contrário, o próprio mundo mergulhasse para dentro dela, e os limites de sua carne passassem a não carregar importâncias nem constrangimentos. Tudo se alinhava à sua volta – era para ela que convergiam as energias vibrantes do desfiladeiro, todas em conformidade com uma só sintonia.
Sentia, através da névoa que não a deixava ver o que havia lá embaixo, a vegetação mover-se com calma em uma dança tão inocente quanto a valsa do despencar das águas no outro lado, que cintilavam debilmente nas nuances do cinza, nas sugestões do fim do mundo. Abraçava o próprio corpo, sentia a doçura de seu próprio toque. Em comunhão com a vastidão da existência, deixava-se enfim tomar pelo transe sublime que vinha se insinuando desde um lugar bem profundo, desde tanto e tanto tempo, no âmago de sua própria alma. Subia acima de sua cabeça, invertia o corpo e o expandia, tocava o céu e apertava as nuvens, sentindo os grãos de areia escaparem-lhe por entre os pensamentos, caindo contra o chão opaco e produzindo milhares de sons, como de martelo contra vidro. E ia decompondo todos os cheiros. Água pura, água turva, folhas, folhas e mais folhas; terra úmida, pedra fosca, lusco-fusco, os pêlos molhados de algum bicho selvagem. Voava além e aquém, irradiava-se para todas as direções, subia e descia conforme a geografia incerta das colinas, das várzeas e das depressões, todas dispersas por muitos planos. Tão semelhante a ela…
Dançava. Rodopiava e pulava, depois abaixava um pouco e girava mais uma vez; batia o pé e fazia o subir pó. Tossia, tossia e depois ria, ria, gritava, ouvia gritos parecidos viajando longe e viajando de volta; sons de liberdade, de fúria, de medo jovialmente alegre. Já não se sustinha mais, ia deixando invadir-lhe a loucura. Ninguém estava vendo, nem ela mesma estava tão atenta, só sabia que havia algo que crescia e crescia, que ia se expandindo para além de todos os seus limites. Nada fazia mal. Chamava os pássaros, cantava aos bichos que se amotinavam à sua volta para vê-la. Convidava, respeitava, e batia para ver se havia alguém em casa.
De repente tropeçou.
Seus olhos se abriram sem que ela precisasse mandar. O sorriso ausentou-se num átimo, sem deixar traços ou recado. Ela tombou na areia, a poeira anuviou-se em seu redor, o pescoço ficou pendendo bem à beira do precipício. Sentiu a leveza das nuvens e o peso do susto se assomarem em sua nuca; suas mãos comprimiam pedrinhas agudas contra o solo poroso, ou talvez, e mais provavelmente, fosse o contrário. Ela encarava as alturas de cima para baixo, o seu cabelo ameaçando despencar para sempre. Arregalou os olhos, sentiu os seios comprimidos contra o chão, percebeu seu centro de gravidade bem seguro aquém da beirada e resfolegou ousadamente. Sentiu o ar preencher seus pulmões, carregado de alguma poeira. Nada que fosse grave. Tossiu. Tossiu e foi sentindo, agradecida, o sangue pulsar no pescoço e depois circular pela cabeça. Via toda a sua vida se desenrolar na névoa lá embaixo, ao som das batidas cadentes do seu coração.
Soluçou, mas rapidamente se aquietou, observando. Recuou um pouco o corpo e apoiou a cabeça sobre as duas mãos, ainda resistindo à ingratidão das pedras e do chão batido. Ainda deitada, entrelaçou a perna e cruzou os pés, como para certificar-se de que permaneceria ali, infalivelmente parada. Ficou olhando o sol terminar de se pôr enquanto sua respiração se regulava de novo e ela aguardava a escuridão total. Sentiu os olhos arderem e algumas lágrimas se precipitarem pelas maçãs do seu rosto. Queria ver as estrelas no céu multicores, como diziam que elas eram em lugares ermos como aquele. Quer dizer, elas eram coloridas sempre, mas é difícil vê-las diferentes de branco quando se tem tantas e tão artificiais luzes por perto. Mas a noite parecia não cair nunca, de modo que dormiu antes que ela enfim chegasse, ali em cima das pedras e embaixo do céu cheio de cinzas. Dormiu como há muito não dormia e sonhou algo bonito, mas nunca pôde dizer com certeza o que foi. Só soube que acordou já no outro dia, levantou-se e foi caminhando de volta, meio tonta e meio lúcida. Desceu pela encosta, entrou no carro quando o encontrou, e então partiu cantando junto ao rádio.
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