Spams e beneficência
Sempre nutri uma certa raiva por esses e-mails do tipo aumenteseupênisematévintecentímetros ou nossasfotinhasnomotel, ainda que a criatividade tanto maliciosa quanto inocente deles, em contrapartida, sempre tenha me divertido. Mas hoje tive um momento de epifania e, como é de se esperar, tudo mudou. Esses e-mails nunca vão me pegar, eu pensei, e o gmail é eficiente o suficiente para levá-los todos para a caixa de spams tão logo eles chegam, de modo que não poluem minha caixa de entrada, mas é fato que sempre existe um número de pessoas que realmente cai na conversa fiada deles – as cabeças nas quais essas balas perdidas buscam se encontrar. Até porque em um mundo tão sujeito a variáveis e circunstâncias como o nosso o resultado não poderia ser outro. Quer dizer, quantos novatos de internet têm o pau pequeno e quantos homens broncos de fato estiveram em um motel recentemente, onde andaram tirando fotos? Sem contar aqueles que vêem um e-mail do tipo nossasfotinhasdomotel e pensam: “a idiota mandou o e-mail pro cara errado, e agora eu vou ver tudo!”. Caras assim simplesmente merecem contrair vírus cibernéticos. E foi então que eu descobri a beleza sublime desses e-mails: eles só contaminam aqueles que verdadeiramente merecem ser contaminados. E isso sem fazer esforço ou precisar de um mecanismo complexo: os próprios merecedores se denunciam clicando nos links e a a punição vem com o ato, como num arco reflexo, com a velocidade de centenas ou milhares de kilobytes por segundo. É a burrice que pede porrada adaptada aos tempos modernos. Essa é a porrada do século vinte-e-um nos acéfalos online: automatizada e, ainda assim, infalivelmente justa.
Os disseminadores de spams maliciosos subiram um ponto no meu conceito. Será possível que exista uma liga de hackers que expede esses e-mails para punir os burros espalhados por esse previsível mundo velho?
Ler maisPalitos
Eu me lembro, eu e um paliteiro nos sentávamos na soleira da porta que dava pra varanda, e enquanto isso minha avó cozinhava algo que cheirava bem – eu costumava ficar à volta dela fazendo qualquer coisa enquanto ela fazia o almoço, por muito tempo foi assim. Então puxei um palito da casa que eu desenhara no piso e, tendo-o na mão, senti uma súbita necessidade de separá-lo em duas metades. Mas como? Pensei, pensei, e fui buscar uma faca na cozinha.
— O que você quer com isso, menino? — minha avó provavelmente perguntou.
— Nada, fufó — eu com toda certeza respondi, e saí da cozinha enquanto ela me receitava cuidado. “Não corre com ela, viu?”
Voltei para a soleira e me sentei ali com meus palitinhos. Tentei serrar um deles com a faca de serra, mas não obtive sucesso – o palitinho era rígido demais. Então corri até o quarto dela e busquei uma tesoura de dentro de sua caixinha de costura, outro costumeiro alvo da minha curiosidade. Coloquei o palitinho entre as duas lâminas e apertei o cabo preto com toda a força que eu tinha, mas aquilo também não adiantou. Então, derrotado, voltei à cozinha com a faca e o palito.
— Fufó — eu chamei —, como é que eu faço pra cortar esse palito em dois?
Ela limpou a mão na toalha e pegou a faca e o palito, eu me lembro bem. Por um momento eu achei que ela fosse usar a faca e eu fosse ficar com cara de besta, me perguntando por que eu não tinha conseguido e ela sim, mas ela a guardou e depois colocou o palitinho bem na minha frente. Eu fiquei um pouco confuso, mas me limitei a observar e esperar o passe de mágica vir. Então ela colocou os dedões por baixo, fez pressão com os indicadores e o partiu.
— Pronto — ela disse, e me entregou.
Eu estendi a mão mas não percebi que o fazia. Absolutamente perplexo, fiquei pensando como eu podia ter me esquecido das minhas mãos.
— Brigado, fufó.
Fui andando de volta para a soleira e fiquei lá, destruindo as figuras construídas nas duas dimensões do chão e partindo os palitos com as mãos até que o almoço enfim saiu.
Ler maisFebre
Estou com febre, estou com febre e o mundo também.
Ninguém quer que você ouse. Todo mundo não quer apenas te ver estático – quer te prever. O que é imprevisível também é uma ameaça, afinal; ao atual estado das coisas, à organização e ao fluxo delas. Àquilo a que já se acostumou. Todos têm medo do desconhecido – sim, não é a morte que as pessoas temem. É a nossa total ignorância acerca dela. As pessoas incapazes de surpreender não gostam de ser surpreendidas, essa é a verdade. Assim como aquelas que se acomodaram a tal ponto, afundaram de um jeito tal em suas tocas, que atrofiaram em suas faculdades físicas, e talvez até mesmo nas mentais. E as automatizadas, que foram pegas e devoradas pelos mecanismos dos quais fazem parte e aos quais provêem o gás, digo, o petróleo. Nenhuma delas quer que você ouse ser diferente.
Está com febre? Estou! O mundo também está!
Mesmo a Coca-Cola não quer. Ela quer que você seja igual a todo um mundo que consome aquele mesmo produto, o dela, e só quer que você ouse trocar por ele os dois reais que você poderia economizar para o próximo item da sua lista de desejos. A única ousadia desejada é a da compra. Os professores querem que você repita padrões, faça uso constante da borracha, gaste muito grafite, dedique os seus dias aos estudos que tantas pessoas já fizeram antes de você. O vestibular quer que você se subjugue aos seus professores, aos seus livros, e quer que você produza uma redação de início, meio e fim, aos quais correspondam, respectivamente, introdução, desenvolvimento e conclusão. Nunca um texto como este aqui. Talvez seja essa a sua raison d’être: eu quero poder escrever fora dos moldes.
Estamos com febre – eu numa cama, o mundo na outra.
O mundo te diz: seja simples, tenha poucos desejos. Eu estou morrendo e eu sou a sua casa. Se o teto cair, portanto, vai ser em cima de você. E os ambientalistas concordam. Polua menos, eles dizem. Os vegetarianos dizem: não coma carne. As crianças dizem: não quero verdinhos! Os adultos dizem: queremos as verdinhas! Mas não prestam atenção ao fato de que essa expressão pertence aos estadunidenses, cuja moeda de papel é verde. Está tudo errado, está percebendo? O problema não é o gás carbônico, a violência ou a miséria. O problema é esse: as pessoas estão falando demais, de modo que elas estão se perdendo dos seus objetivos, razões e convicções. Eu também tenho muito o que falar, mas não encontro a ordem! Por onde começo? E onde termino?
Febre, febre, febre. Temo que já tenhamos passado dos cinqüenta graus. Mas não disseram que isso era impossível?
Os pais dos meus amigos os chamam de católicos, mas eles mesmos não sabem do que se chamar. Os jovens estão perdidos mas não no sentido de estarem sem esperança – no sentido de terem perdido a visão da trilha, terem feito trekking na mata fechada e de repente terem se dado conta de que não havia ninguém por perto e a mata estava fechada demais. Todo mundo tem muita coisa pra dizer. Eu não acredito em muita coisa que eles dizem, eu acredito é no cérebro. Todo um potencial, ele tem. Muitos elétrons-volt, é verdade! Teve uma questão de física que envolvia sódio e potencial que eu errei no vestibular. Ou foi num simulado?
Ai, como arde. Ó, desconforto! Je suis malade! Nous sommes malades! Tout le monde! Non! Le monde en soi! Le monde et moi…
Estudei francês mas não sei por quê. Se as pessoas não me entendem nem na minha língua, por que é que eu quero saber outra? Talvez para poder falar de um jeito simples: eu moro na casa verde, como é o teu nome?, eu estou doente!, adeus!.
Se o meu olho está vermelho, a Terra continua azul. Mas ainda assim eu sei – está tão quente! Temos febre, sim, senhor.
A crise não é econômica. A da economia é só uma evidência, o primeiro passo – o trajeto leva a um precipício, tenhamos cuidado! (Eu tenho uma personagem que vaga por ali, e eu sei dizer que o lugar é repleto de vozes, ventos, e quase sempre é noite. Ou quase noite: é crepúsculo.) Depois vai se consolidar a crise dos alimentos, em seguida a crise existencial. Primeiro a minha, depois a do mundo.
Salvem os seus netos! Desmatem menos! Desculpe, esse foi o mundo. Ele está delirando ali, na cama ao lado.
Agora que se falou em netos, eu queria dizer que não penso em ter netos e também não penso em ser só mais um. Quando eu me recuperar dessa febre e for capaz de organizar meus pensamentos, eu vou separá-los e acondicioná-los em parágrafos, com tampas bem coesas. Na verdade, vou fazer muitos textos com eles, mas sem misturá-los demais. Eu estava quase achando o fio da meada, mas aí veio essa febre e eu o perdi. Mas eu vou reencontrá-lo, dou minha palavra escrita, essa bem aqui: eu vou!
É excruciante! Será que alguém teria Tylenol? Para mim serve, mas quanto ao mundo…
As temperaturas no mundo só fazem subir, não é verdade? O calor é transferido pro mercúrio dos termômetros antigos e lá vai subindo o líquido pelo túbulo. Não sei como é que funcionam os termômetros eletrônicos, mas não deve ser nada muito complicado. Afinal, eles são bem baratos e de grande disponibilidade. Só não se vende pela internet, o que seria um tanto estranho. Ou será que se vende? Afinal, o mundo anda tão estranho, de qualquer jeito…
Alguém mais está com febre? Espero que não seja contagioso.
Tenho muita inveja daqueles que escrevem livros. Mais ainda dos que os publicam. Eles mantêm um ritmo que os vai levando até o fim, o ponto final final. E aí as pessoas lêem o que eles escrevem e tudo simplesmente faz sentido. Uma vez eu fui assim, mas aí comecei a pensar demais e escrever de menos. Aí as coisas foram se acumulando na minha cabeça de forma que comecei a encontrar dificuldade para expressá-las, uma por uma. Então elas ficam na fila e ficam impacientes, se é que você me entende. Aí se empurram, roubam os lugares umas das outras, e vão saindo na primeira oportunidade, todas de uma vez, por vezes até pisoteando as mais fracas. Um caos.
Acho que o mundo acabou de desmaiar. Ou foi só a noite que caiu?
Uma descarga cerebral – é como vou chamar isso tudo. Mas não vai ser o título desse texto, porque o título eu já escolhi há uns cinco parágrafos. O título há de ser “febre”, porque eu não quero que tomem esse texto como parâmetro para me julgar como escrevente – sim, porque eu não posso dizer “escritor”, ou as pessoas vão fazer confusões. Ninguém pode levar a sério as palavras de um homem febril.
Acho que às vezes a pessoa precisa fazer algo assim – se permitir a loucura, já que ela insiste tanto assim em se libertar, alfinetando sem nunca perder a energia. Deixá-la dar uma volta pelo mundo de fora, distorcer as palavras até que se canse. Depois disso ela se recolhe em um canto longínquo da alma por conta própria e então adormece, dando lugar à lucidez. Aí a lucidez pode chegar e organizar os pensamentos: pra que essa fila? Voltem já para os seus quartos! Andem, andem! E a consciência do escrevente fica em paz. Quando ele quer falar sobre uma coisa, ele simplesmente a chama e ela vem, de cabeça baixa, transparente, leve e obediente.
Daqui pra frente, vai ser assim. Esta foi a última descarga cerebral. A minha meta é fazer sentido, como agorinha eu havia prometido que ia fazer.
Como eu ia dizendo, ninguém quer que a gente ouse. Mas eu sou do tipo que ousa. Ser diferente, escrever diferente, e ainda colocar tudo isso num blog. Eu não era assim, mas felizmente agora eu sou.
Acho que a minha febre está passando. Mas o mundo ainda me parece doentio.
Ler maisO caderninho
A coisa estranha dele era que ele sempre trazia consigo um caderninho e um lápis número 2. Isto é, desde os seus sete anos de idade, quando apanhou até desmaiar por ter colocado uma vela próxima demais de uma cortina. Mas nem eram ainda esses seus dois inseparáveis companheiros os responsáveis pela estranheza que o tornou digno de nota. É que ele só os usava em uma ocasião: sempre que ouvia uma sentença que vinha antes de algo como “jamais se esqueça disso”, ele a anotava ali. E mantinha e seguia essas suas anotações como se fossem bem uma bíblia, mas eu penso nelas mais como um manual. Todos os seus pensamentos e todas as suas atitudes, emoções e palavras vinham de seu coração, é claro, mas era tudo filtrado e remodelado por e segundo as lembranças perpetuadas naquele caderninho. Nada saía sem antes passar pelo seu crivo, que, sustentado na precisão e impassibilidade das coisas que são escritas, tornara-se indiscutível.
Foi assim que ele nunca se apaixonou, xingou, nem abriu a porta para estranhos, para citar alguns de seus feitos. Nunca se esqueceu do amor do pai e da mãe ou da constante vigília de Deus, e o único dia que passou sem escovar os dentes foi quando foi acampar com uns amigos aos dezoito anos. Mas aí escreveu que jamais deveria se esquecer da escova de dentes ao lado da anotação que o instruía a nunca deixar de escovar os dentes e isso não aconteceu outra vez. E também foi assim que ele entrou em depressão e morreu quando perdeu o caderninho, e só o lápis número 2 sobrou. Sem as suas instruções de como viver, o pobre rapaz se matou. Jamais alguém o advertira para nunca se esquecer do caderninho, de modo que eu tenho que dizer que, portanto, ele um dia fatalmente o esqueceu. E nunca haviam dito nada porque achavam aquilo simplesmente estranho demais.
Ler maisA espera e uma espera
Parando para pensar, é melancolicamente engraçado que eu fique, bem, decompondo o tempo desse jeito quando eu espero. Percebi que, nessas horas, eu sempre me coloco a imaginar os eventos que ele impede de acontecer e os eventos que ele desencadeia – maneiras com as quais o trânsito, a pressa, a falta de pressa, a chuva, a noite, o dia ou o dólar poderiam prolongar ou encurtar a minha espera. E, conforme os minutos passam, fico pensando: bom, se ainda não terminou definitivamente só pode ser por causa disso. Ou talvez…
E me perco. O tempo é cruel: ele analisa tudo isso em uma velocidade com a qual a mente humana simplesmente não pode competir. Pego /ê/ por essa disparidade, faço com que o tempo se estique sob a minha percepção. Acho que é isso que acontece.
Esperar, para mim, é parar num momento de vulnerabilidade, de vergonhosa impotência; ficar ali, estático, braços e pernas atados, e a própria mente firmemente atada na coisa esperada também. Para mim, esperar é se submeter ao mundo em sua crueldade – circunstâncias, prazos, distâncias, velocidades; subjugar-se a todas as avarias e possibilidades, desgastar-se, e ter à própria disposição a faculdade – só, frágil e viciosa – de avaliá-las enquanto o tempo vai tecendo o caminho da realidade através delas. Enquanto o tempo vai escolhendo: agora acontece isso, agora aquilo, e assim vai fazendo tudo progredir.
Sim, para mim é assim porque eu acho que sofro de ansiedade. Quando espero música alguma me acalma, livro nenhum me interessa, e não existe passatempo que cumpra seu papel. Também não fico mais tranqüilo comendo e acredito firmemente que nenhum outro truque funcione comigo. Se bem que, no momento, estou experimentando escrever e, para o meu contento, a minha mania de perfeição que sempre tanto tomou meu tempo e absorveu minha atenção parece estar funcionando. Não se engane – esta foi uma das últimas linhas deste texto que escrevi. Antes de escrevê-la, fiz inúmeros reajustes mais acima e mais abaixo, mas continue lendo.
Só sei que derramei uma lágrima nessa agonia – era isso que eu queria contar -, mas agora não sei se é de ansiedade ou de agouro; se é só sinônimo de derrota ou uma estranha sintonia me transmitindo notícias ruins que o meu corpo entende, mas a minha mente não. Estou mortificado, tudo dói, bem como se eu tivesse envelhecido uns sessenta anos nesses últimos sessenta segundos. O que seriam essas lágrimas, afinal? Só minha fraqueza diluída em água e sal?
Sofrer de ansiedade é se meter embaixo de um peso insuportável, e essa espera não quer findar. A casa está em silêncio, as notícias também não chegam. O celular só dá fora de área e eu só queria estar fora de órbita. Esperar no escuro da insipiência é a pior claustrofobia.
A minha única sorte é que sou resiliente — que ele chegue dando um fim a tudo isso, eu retomo o statu quo ante. Ou assim espero.
Ler maisA metafonia
Aproveitando a quebra de hábito, uma pausa para publicidade.
Sondei uma nova terra, assentei-me nela e fundei ali um blog não faz muito tempo. Foi batizado “Metafonia”, esse novo domínio, e somos eu e outros cinco amigos os seus primeiros (e únicos, suponho) habitantes. Ali, a terra tem textura e aparência de fértil, e planejamos lá cultivar por tanto tempo que conseguirmos alguns bons textos e, com alguma ajuda, colher umas boas dúzias de comentários. O endereço é este: http://metafonia.org/. O trajeto é bem simples: pode ser desta página para a próxima. Você é bem-vindo(a) para nos fazer uma visita quando dispuser do tempo e da disposição que toma uma pequena viagem. E, caso tenha ainda alguma dúvida, pare no posto de informações mais próximo. Receio, no entanto, que haja um só.
Agora, o porquê do campo lexical utilizado eu realmente desconheço.
Ler maisSilêncio
O medo de começar a falar e, na excitação de fazê-lo, se atropelar nas palavras e acabar seguindo o caminho oposto do desejado é o que faz do tempo silencioso, vazio de expressão e cheio de reticências. Perder-se nessa mudez, na inexpressão da incerteza, é como ver a vida do fundo de um lago turvo onde, mesmo que se possa ouvir uma pedra caindo longe na superfície, e que se possa ver a luz entrando quando é dia e perceber a noite quando ela vem, não se pode gritar e se fazer ouvir, emitir sinal luminoso e nem ao menos se fazer noite, tranqüilo e completo. É como estar em uma espécie de útero – albergue sombrio, misterioso e coloidal – apenas flutuando em volta de si mesmo, sem direção nem sentido, e sem senti-lo também; ficar apenas ouvindo murmúrios e sugestões de vida alheia e verdadeira lá fora. E também é como estar nesse desconcerto, na eterna repetição de um ato que vai ficando cada vez mais distante nas ondas do tempo que começa a parecer ser qualquer coisa, exceto linear.
Sinceramente não sei do que estou falando, mas também não quero me atrever a fazer sentido nesse mundo que dele tanto carece; por enquanto não quero falar de nada que alguém possa entender, porque entender é o que vem antes de questionar. E o problema de ser questionado é que você pode não ter resposta, e o que dizer de argumento. Ou, se tiver, pode ser algo duro demais, com peso insustentável. Algo como – você quis brincar de não saber se expressar e acabou se esquecendo. Tu te tornas aquilo que cativas, pequeno.
A falta de sentido seduz, tão-somente porque é caminho bem menos árduo. Escrever com sentido é lida demais. Mas o problema maior nem é isso: o que me mata é a preguiça. É ela quem me faz pensar assim. Ou seria não pensar?
Não, acho que seria só pensar preguiçosamente: tudo pela metade. Ou pelo início, pelo fim, tanto faz. Nessas horas e condições a ordem realmente não interessa.
De forma resumida, acho que é isso: estou com preguiça demais. Só mais dez minutos.
Aliás, alguém quer me dar o ‘Cadeira de balanço’, do Carlos Drummond de Andrade?
P.S.: Ou talvez no momento eu só esteja com sono.
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